terça-feira, 22 de março de 2011

Os Dois Parecidos

OS DOIS PARECIDOS

Tradução, adaptação e argumento: Marcus Villa Góis. Manuscrito original de Basilio Locatelli, conservado na Biblioteca Casanatense Roma, Manoscritti 1211 e 1212. Publicado por: TESTAVERDE, Anna Maria. I Canovacci della Comedia dellArte. Torino: Giulio Einaudi, 2007.



Personagens:

Pantaleão. Ator 1.

Isabela, filha. Ator 5.

Horácio, Marido  Ator 6. (Guarda chuva e cabelos arrepiados, corpo curvado).

Arlequim, seu servo. Ator 3.

Covielo, irmão parecido Ator 6. (Espada e chapéu, corpo reto).

Capitão, seu amigo. Ator 7.

Flamínia, prostituta. Ator 2.

Graciano. Ator 4.

Hortência, esposa. Ator 5.

Médico. Ator 7.



(Os personagens do Covielo e de Horácio devem ser feitos pelo mesmo ator. O albergue é uma estrutura central com duas entradas.)



Coisas:  duas roupas parecidas e barbas, vestido, anéis, colar, símbolo do albergue, uma mala, copos e vinho. (Guarda chuva, chapéu e espada.)



Argumento

                Há muitos anos atrás, morava em Bolonha um grande e bondoso Capitão chamado Francesco Andreini e sua esposa, poetisa e atriz, Isabela Andreini. Eles tiveram dois filhos gêmeos, o primeiro chamava-se Horácio e o segundo chamava-se Covielo. Com esses filhos ainda pequenos e junto a outros atores, o casal criou uma companhia de Commedia dell’Arte e passaram a viajar por toda a Europa apresentando seus espetáculos. Até que um dia, esta companhia, quando estava a caminho da França, foi seqüestrada por protestantes. Toda a companhia foi morta porque aqueles religiosos não suportavam a arte dramática. Sobraram somente os dois irmãos que foram mandados um para Fano, na Itália, o Horácio, e o outro acabou parando somente na Espanha, o Covielo, onde encontrou uma família que o criasse. Muitos anos se passaram até que os fatos aconteçam como a distinta platéia poderá perceber.



A cena se passa em Fano.



CENA 1: HORÁCIO e ARLEQUIM

Horácio vindo de casa; diz estar enamorado de Flamínia, cortesã, e ter-lhe prometido um vestido, um colar e dois anéis e não ter dinheiro, nem ter os presentes para mandar. Diz a Arlequim que encontre um meio qualquer para tirar as coisas da mão de Isabela, sua esposa. Arlequim tenta dissuadi-lo e deixar pra lá a cortesã, ao fim, pela insistência de Horácio, diz ter encontrado um meio: “certos atores fazem uma comédia belíssima e Isabela dirá que quer ir, então você diga que prometeu aos atores um vestido, colar e anéis”. Horácio diz: “Se ela quiser ir digo que prometi”, fazem gag do sim e do não e batem para chamar Isabela. Nisto.



CENA 2: ISABELA, HORÁCIO e ARLEQUIM

Isabela de casa; entende tudo, ela recusa e não quer  ir à comédia por não querer dar o vestido, no fim, pela insistência de Horácio, lhe dá tudo, quanto antes levar, melhor.  Fazem gag, Isabela entra em casa, Horácio e Arlequim alegres batem na casa de Flamínia. Nisto.



CENA 3: FLAMÍNIA, HORÁCIO e ARLEQUIM

Flamínia de casa; recebe de Horácio o vestido, o colar e anéis e agradece com elogios; Flamínia o convida a almoçar com ela, Horácio promete ir. Flamínia entra em casa, Horácio e Arlequim partem pela rua.



CENA 3: PANTALEÃO e ISABELA

Pantaleão, vindo da rua, diz estar vindo de sua casa por causa de uma carta que lhe mandou Isabela, sua filhinha. Elogia a casa e bate para entender o que sua filhinha quer. Nisto

Isabela: de casa, entende que Pantaleão recebeu a carta e que veio de sua casa para entender o que ela precisa. Ele espanta-se por ela ter deixado Horácio, seu genro. Isabela fala mal do marido, que ele desperdiça  as coisas, que freqüenta prostitutas e albergues; Pantaleão espanta-se e diz que dará um jeito; Isabela entra em casa. Pantaleão diz que quer encontrar Horácio, parte pela rua.



CENA 4: COVIELO e CAPITÃO

Covielo, vindo da rua, diz estar vindo de viagem da Espanha, que foi desde pequeno, e ter deixado um irmão gêmeo em Bolonha, sua cidade natal; fazem uma gag; ao fim, dizem querer se hospedar, batem. Nisto.



CENA 5: GRACIANO, COVIELO e CAPITÃO

Graciano, vindo do albergue, faz gag com os forasteiros falando da qualidade dos vinhos e do seu albergue, chama Hortência.



CENA 6: HORTÊNCIA, GRACIANO, COVIELO e CAPITÃO

Hortência, vindo do albergue,  acaricia os forasteiros, pega a mala, fazendo gag com Capitão; todos entram no albergue; Covielo fica fora dizendo querer dar uma volta pela cidade, para ver como é belo o vilarejo e as mulheres da cidade. Nisto.



CENA 7: FLAMÍNIA e COVIELO

Flamínia, de casa, diz que espera Horácio para almoçar com ela, vê o Covielo, pensa que é Horácio, o convida a almoçar, pois já está na mesa; Covielo maravilhado por não conhecer a mulher agradece a cortesia, no fim, já chateado pela insistência de Flamínia, aceita o convite e entram em casa.



CENA 8: GRACIANO, HORTÊNCIA e CAPITÃO

Graciano e Hortência, vindos do albergue, gritam com Capitão por ele ter posto uma dúzia de velas nos buracos e por querer burlar Hortência, sua mulher; o espancam, Capitão corre pela estrada. Hortência e Graciano entram em casa.



CENA 9: COVIELO e FLAMÍNIA

Covielo, vindo de casa, se despede fazendo elogios e agradecendo a cortesia recebida, Flamínia lhe dá o vestido, o colar e o anel para que ele guarde. Covielo pega tudo dizendo que a contentará, Flamínia entra em casa; Covielo maravilhando-se de tanta cortesia, diz que não a conhece, bate no albergue. Nisto.



CENA 10: GRACIANO, COVIELO e PANTALEÃO

Graciano vem do albergue, recebe as coisas do Covielo, que as guarde, Graciano faz uma gag e entra. Covielo fica, diz querer andar pela cidade. Nisto.

Pantaleão: da rua, diz ter procurado Horácio e não ter encontrado, vê o Covielo, pensa ser Horácio, grita do seu mau viver e do seu comportamento com Isabela; Covielo insulta chamando-o de gigolô e de mentiroso e parte pela rua. Pantaleão  se assusta por ele ter se tornado tão insolente. Nisto.



CENA 11: HORÁCIO e PANTALEÃO

Horácio, da rua, vê Pantaleão, o abraça, faz carícias, alegra-se da sua volta e agradece as advertências recebidas; Pantaleão se maravilha como pode ter mudado tanto tão rápido, Pantaleão recomenda cuidados a Isabela; ele diz querer-lhe bem e ser-lhe cara, Horácio sai pela rua. Pantaleão espanta-se da diferença que lhe tratou Horácio da primeira vez tão bestialmente e da segunda tão humanamente. Nisto



CENA 12: COVIELO e PANTALEÃO

Covielo, da rua, com raiva porque todos brincam com ele. Pantaleão o persuade a tomar conta de sua mulher e, da casa, Covielo, com raiva, lhe diz vilanias e que não tem mulher, mas que ele é um corno, sai pela rua; Pantaleão assustado diz estar louco e que quer encontrar um médico, sai pela rua.



CENA 13: HORÁCIO, ARLEQUIM e FLAMÍNIA

Horácio e Arlequim, da rua, dizem querer ir ao almoço na casa de Flamínia e que ela deve estar esperando, batem. Nisto.

Flamínia: de casa, ouve como veio Horácio e Arlequim para almoçar com ela, enxota Arlequim dizendo que Horácio almoçou só com ela; Arlequim entra em casa para entender e volta para fora chorando dizendo que já tiraram a mesa e comido tudo. Horácio grita com a mulher por não ter estado ali: fazem uma gag (do sim e do não) responde falando das coisas doadas e que como prêmio é maltratado por ela. Flamínia diz que ele, depois de ter comido e pegado de volta as coisas, fizesse de tal maneira; falam juntos, Horácio e Arlequim saem com raiva pela rua. Flamínia fica maravilhada com Horácio que age desta maneira negando tudo. Nisto.



CENA 14: COVIELO e FLAMÍNIA

Covielo vem da rua. Flamínia pergunta sobre as coisas que ela lhe deu e porque está assim com raiva dela; Covielo diz não estar com raiva e que irá pegar as coisas e trazer para ela, sai pela rua. Flamínia fica maravilhada. Nisto



CENA 15: HORÁCIO e FLAMÍNIA

Horácio, da rua, diz querer ir pra casa, vê Flamínia, que lhe pergunta se ele trouxe as coisas, fazem confusão de novo; Horácio, com raiva, sai pela rua, Flamínia fica. Nisto



CENA 16: COVIELO, FLAMÍNIA e ARLEQUIM

Covielo da rua, Flamínia grita por causa das coisas, Covielo, com palavras dóceis diz que lhe trará o quanto antes; Flamínia entra em casa, Covielo fica. Nisto

Arlequim: da rua, vê o Covielo, pensa que é Horácio seu patrão, lhe pede o salário que lhe deve; Covielo diz que não o conhece, Arlequim se assusta, diz que negue isso e que pedirá a confirmação de sua própria mulher, bate. Nisto.



CENA 17: ISABELA, COVIELO e ARLEQUIM

Isabela, da sacada da casa, vê o Covielo, acredita que é seu marido Horácio, diz que pague a Arlequim; Covielo burla com ela, depois sugere a Arlequim que durma com Isabela e que desconte o salário; Arlequim contente entra em casa com Isabela, Covielo parte pela rua.



CENA 18: HORÁCIO e CAPITÃO

Horácio da rua, sobre o mal estar de Flamínia e do seu proceder mal. Nisto

Capitão: da rua, vê Horácio, pensa que é o Covielo seu amigo, diz que vá ao albergue, procure Graciano e peça as coisas por que ele foi expulso, e que o esperará no albergue do Sol; Horácio diz que fará de tudo para conseguir, Capitão sai pela rua; Horácio maravilhado diz que vai tentar, bate. Nisto



CENA 19: GRACIANO e HORÁCIO

Graciano, do albergue, vê Horácio, pensa que é o Covielo, leva para fora suas coisas e faz a conta das despesas.  Horácio o paga, Graciano entra no albergue. Horácio, com as coisas, maravilhado, bate. Nisto



CENA 20: ARLEQUIM, HORÁCIO e ISABELA

Arlequim, da janela, se lamenta com Horácio que Isabela sua mulher não quer dormir com ele e que quer seu salário; Horácio grita com ele, Arlequim aposta que ele ordenou que dormisse com Isabela como forma de pagamento, e que ela confirmará tudo. Nisto.

Isabela: de casa diz, na cara de Horácio. Como ele se contentou que Arlequim dormisse com ela como forma de pagamento; Horácio se assusta e diz que não é verdade; Horácio restitui as coisas à esposa. Arlequim se maravilha, fazem a cena de doar as pauladas e todos entram em casa.



CENA 21: PANTALEÃO, MÉDICO e HORÁCIO

Pantaleão da rua, dizem querer medicar Horácio, pois pensam que ele está louco e que não está responsável pelos seus atos. Nisto.

Horácio: de casa, convida Pantaleão a almoçar, pois já está na hora, entra em casa; Pantaleão diz que Horácio está com a cabeça no lugar e libera o médico que sai pela estrada, Pantaleão fica. Nisto



CENA 22: COVIELO, PANTALEÃO e MÉDICO

Covielo da rua, vê Pantaleão, discutem; Pantaleão chama o médico. Nisto

Medico: da rua, Covielo com Raiva sai pela rua; Pantaleão diz ao médico que o frenesi voltou a Horácio, porém precisa encontrá-lo. Nisto



CENA 23: HORÁCIO, MÉDICO e PANTALEÃO

Horácio de casa, de novo, convida Pantaleão a almoçar; o médico lhe toca o pulso e diagnostica bom e são. Horácio maravilhado entra em casa, médico se despede e sai pela rua; Pantaleão fica. Nisto



CENA 24: COVIELO, PANTALEÃO e MÉDICO

Covielo, da rua, volta a discutir com Pantaleão, caluniando-o. Pantaleão chama o médico. Nisto. Médico: da rua, quer tocar o pulso do Covielo achando que é Horácio, Covielo dá paulada em todos e partem pela rua.



CENA 25: COVIELO e GRACIANO

Covielo, da rua, maravilhado dos sucessos, diz querer pegar as suas coisas, bate. Nisto

Graciano: do albergue, entende que o Covielo quer as suas coisas, ele diz já ter dado, discutem; Covielo, com raiva, ameaça ir à justiça, sai pela rua; Graciano fica maravilhado. Nisto



CENA 26: HORÁCIO e GRACIANO

Horácio, da rua, Graciano acredita ser o Covielo e pergunta se ele guardou as coisas; Horácio diz que sim e fazem gag, Horácio parte pela rua; Graciano maravilhado. Nisto  



CENA 27: COVIELO e GRACIANO

Covielo, da rua, diz querer as suas coisas, discutem; Graciano que ele mesmo acabou de confessar que já as pegou; Covielo nega, com raiva parte pela rua; Graciano fica. Nisto



CENA 28: HORÁCIO, GRACIANO e PANTALEÃO

Horácio, da rua, perguntado por Graciano das coisas, ele confessa tê-las tido. Nisto.

Pantaleão, da rua, se esconde pra ver se Horácio está em sã consciência; Graciano pede para ele ser testemunha; Pantaleão se esconde de um lado; Horácio de novo confessa ter recebido as coisas e sai pela rua. Graciano e Pantaleão ficam. Nisto.



CENA 29: COVIELO, GRACIANO e PANTALEÃO

Covielo, da rua, pergunta a Graciano das suas coisas com delicadeza e belas palavras; Graciano, com raiva, chama a testemunha, Pantaleão estando à parte, diz ter ouvido tudo, que ele tinha confessado; Covielo, com raiva, entra no albergue dizendo que quer pegar de qualquer jeito; Graciano e Pantaleão entram atrás dele.



CENA 30: HORÁCIO e PANTALEÃO

Horácio, da rua, maravilhando-se das extravagâncias que lhe aconteceram e das coisas que ele pegou. Nisto. Pantaleão surge do albergue, diz ter trancado Horácio em um quarto e querer ir encontrar o médico; Vê Horácio, se espanta, duvida que não seja um espírito, enfim, o Magnífico fala maravilhado de como ele tenha conseguido sair do albergue; fazem maravilhas um com o outro; se ouve barulho no albergue, Horácio (levanta o guarda chuva e entra no albergue). Nisto



CENA 31: COVIELO, HORÁCIO, GRACIANO, PANTALEÃO

Covielo do albergue, com a espada desembainhada, gritando que quer as suas coisas, (procura e entra no albergue pelo outro lado);  Horácio sai do albergue procurando a confusão e entra pelo outro lado; Sai Covielo com espada em riste criando a confusão dá a volta e entra novamente; Sai Horácio procurando, entra; Sai Covielo criando confusão, entra... até que um duble entre vestido igual e permaneça de costas). Pantaleão (percebe que são dois e) fica maravilhado por não saber conhecer quem seja seu genro Horácio.



CENA 32: ARLEQUIM, CAPITÃO, COVIELO, HORÁCIO, GRACIANO, PANTALEÃO

Arlequim e Capitão: da rua, Arlequim diz não saber conhecer quem seja Horácio seu patrão, Capitão diz não conhecer quem seja o Covielo seu amigo; Graciano não reconhecer a quem ele deu as coisas; Todos fazem gags, estão maravilhados. Nisto



CENA 32: FLAMÍNIA, ISABELA, ARLEQUIM, CAPITÃO, COVIELO, HORÁCIO, GRACIANO, PANTALEÃO

Flamínia: de casa, faz igual, não conhece quem seja Horácio, faz gags, no fim chama Isabela. Nisto. Isabela: de casa, não consegue conhecer quem seja Horácio, seu marido, faz gags com um e com o outro; no fim, se descobre que o Covielo é irmão de Horácio, alegrando-se todos; o Covielo se casa com Flamínia.

Fim da comédia.



Cenas a serem ensaiadas:

·         Insistir e convencer, alguém que diz sim, outro que diz não.

·         Viagem longa com cansaço e fome. Alguém que pode saciar a fome, mas não o faz de imediato.

·         Insinuação.

·         De receber roupas.

·         De doar pauladas.

·         Ciovielo e Horácio correm em volta do albergue.


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O Mensageiro

O MENSAGEIRO
Adaptação de Marcus Villa Góis da tradução de Roberta Barni do original de Flaminio Scala em Il teatro delle favole rappresentative... Ed. Iluminuras, São Paulo, 2003. 1ª Ed.: Pulciani, Veneza, 1611.



Personagens


Pantaleão depois Stefanello, ator 1.
Isabela, filha depois Hortência, ator 5.
Arlequim, criado, ator 3.
Buratino, ator 6.
Francisquinha, ator 2.
Flamínia, filha, ator 2.
Capitão Espavento, ator 7.
Horácio, depois Flamínio, ator 6.
Gracindo companheiro, ator 4.
Taberneiro, ator 3.
Mensageiro, ator 4.



Coisas: Tabuleta de Taberna. Paus para dar Paulada. Um cesto contendo muitas cartas. Dois Floretes. Um violão pra Gracindo.

Argumento
                Vivia em Veneza um mercador, denominado Stefanello dos Humildes, que tinha uma filha extremamente bela e dotada de virtuosos hábitos, a qual se chamava Hortência, e por correspondência, ele tratava de casar em Gênova, com um jovem de honrada família, chamado Flamínio.
                Deu-se que um fidalgo veneziano enamorou-se da jovem e, querendo raptá-la ao pai, acabou sendo ferido e morto pelo referido Stefanello, com a ajuda de alguns capangas. Stefanello fugiu para Bolonha sob o nome de Pantaleão, mas não considerando ali seguro, acabou, muito tempo depois, se mudando para Roma.
                Naquele ínterim o jovem Flamínio, que com aquele casamento também não concordava, fugiu do seu pai e, sob falso nome de Horácio, alcançou Bolonha, e ali, não reconhecendo a ex-futura mulher (que sob o nome de Isabela vivia), por ela inflamou-se altivamente. Seguiu-a então a Roma, e após muitos, atormentados acontecimentos, fez-se conhecer por Flamínio, e, correndo assim maior perigo de perdê-la, conseguiu tê-la por esposa.

Cidade

CENA 1: MENSAGEIRO
Mensageiro, com cesto de cartas, bate à casa de Pantaleão; nisto

CENA 2: PANTALEÃO e MENSAGEIRO
Pantaleão, à janela penteando-se, responde dizendo que vai mandar alguém para as cartas, e retira-se. Mensageiro bate à casa de Balela.

CENA 3: FRANCISQUINHA e MENSAGEIRO
Francisquinha, à janela dizendo: “Estou indo”; nisto

CENA 4: ARLEQUIM, FRANCISQUINHA e MENSAGEIRO
Arlequim pega a carta do patrão, perguntando se há alguma para si; nisto. Francisquinha pega as cartas de Balela, já que seu marido não se encontra. Mensageiro sai. Eles brincam amorosamente um com o outro, depois Francisquinha pergunta-lhe se tem notícias de Buratino. Arlequim: que desde que partiram de Bolonha nunca mais tiveram notícias, e fica com ciúmes de Buratino; nisto

CENA 5: GRACINDO, HORÁCIO, ARLEQUIM e FRANCISQUINHA
Gracindo persuade Horácio a não querer desistir do amor de Isabela e nem sair de Roma. Horácio que é obrigado a ir-se embora, por ter percebido que Isabela ama outra pessoa; e que isto lhe acontece por ter sido desobediente ao seu pai e não ter querido ficar com a pessoa que ele lhe dera em Veneza, e que enfim, está resolvido a voltar para Bolonha. Francisquinha e Arlequim, que ficaram apartados, entram em casa. Eles continuam a conversa começada, Horácio narra que seu pai de Gênova o queria casar com uma certa Hortência de Veneza, mas ele fugiu para Bolonha onde conheceu e se apaixonou pela traidora Isabela que veio para Roma com algum outro amor; nisto

CENA 6: ISABELA, GRACINDO e HORÁCIO
Isabela, à janela, diz que ouviu de Arlequim que Horácio está em Roma, e na rua; nisto

CENA 7: FLAMÍNIA, ISABELA, GRACINDO e HORÁCIO
Flamínia, à janela, diz que ouviu de sua mãe Francisquinha que Gracindo está na rua; as mulheres vêem-se, cumprimentam-se; Horácio, ao ver Isabela, quer ir-se embora; Gracindo o detém. Isabela fala docemente com ele. Horácio chama-a de traidora. Isabela chama por testemunhas de seu amor Gracindo e Flamínia, os quais dão fé da verdade. Horácio, fora de si e completamente apaixonado, vai-se embora calando. Gracindo segue-o. Isabela, entrando, diz: “Maldito seja o dia em que parti da minha terra”. E Flamínia: “Maldito seja o dia em que parti de Bolonha e vi Gracindo”; entra. 

CENA 8: BURATINO
Buratino, com capa de viagem e cesto com cartas, chegando de Veneza, procura pela Taberna do Urso, para depois descobrir onde o patrão está morando; nisto

CENA 9: CAPITÃO e BURATINO
Capitão que a janta na taberna do Urso foi péssima; Buratino pergunta onde é a taberna. Capitão responde, se apresentam, Buratino diz ter uma carta dele; lê muitas cartas, e entre elas as de Pantaleão dizendo: “Estas são do meu patrão, Pantaleão”. Capitão percebe aquelas palavras, recebe a sua carta, depois chama o taberneiro.

CENA 10: TABERNEIRO, CAPITÃO e BURATINO
Taberneiro vem fora; Capitão recomenda-lhe Buratino. Taberneiro leva-o para dentro da taberna. Capitão lê a sua carta do jeito dele (em espanhol, elogiando a si próprio), depois entra na taberna.

CENA 11: PANTALEÃO e FRANCISQUINHA
Pantaleão, de casa, com a carta, bate à casa de Balela. Francisquinha sai e diz a Pantaleão que Balela está viajando. Pantaleão pede para deixar um recado: diz que tem boas notícias de Veneza. Francisquinha pergunta por Buratino, que em Bolonha ele tinha mandado para Veneza saber da situação dele com a justiça. Pantaleão responde que Buratino mandou uma carta avisando que está chegando à Roma com boas noticias, mas que a situação em Veneza está preta. Ela diz que compreendeu o recado e entra. Ele volta preocupado para sua casa.

CENA 12: CAPITÃO
Capitão diz que embebedou Buratino, que lhe tirou as cartas de Pantaleão e que tem de colocar no lugar antes que ele acorde; abre-as, e ao lê-las descobre que Pantaleão se chama Stefanello, e sua filha Isabela chama-se Hortência; vê o nome dos inimigos de Pantaleão; e faz sobre isso muitos planos; nisto.

CENA 13: ARLEQUIM e CAPITÃO
Arlequim chega perguntando quem falou de Pantaleão, seu patrão; capitão observa-o, e esclarece-se que tudo o que leu na carta de Pantaleão é verdade; dá dinheiro a Arlequim para que o ajude em seu amor com a sua patroa Hortência. Arlequim: que não adiantará nada, por ela estar apaixonada por um estudante que a seguiu de Bolonha até Roma, mas que procurará ajudá-lo; sai. Capitão ouve pessoas se aproximando e decide se esconder para ouvir, se esconde; nisto

CENA 14: HORÁCIO e GRACINDO
Horácio diz querer partir de Roma. Gracindo pergunta a Horácio o motivo que o leva a duvidar do amor de Isabela. Horácio: desconfia que ela esteja apaixonada pelo Capitão. Gracindo roga-lhe que não parta de Roma, até ele conseguir a verdade sobre este assunto; Horácio promete, e sai. Gracindo faz sinais embaixo da janela.

CENA 15: ISABELA e GRACINDO
Isabela à janela, diz a Gracindo que, por amor a ele, Flamínia está desesperada; nisto

CENA 16: FLAMÍNIA
Flamínia fora; Isabela retira-se um instante. Gracindo pergunta a Flamínia se Isabela ama o Capitão; nisto

CENA 17: ISABELA, GRACINDO, FLAMÍNIA e CAPITÃO
Isabela diz que ouviu tudo pela janela, diz a Gracindo que ele tem pouca confiança nela, acreditando que poderia deixar de amar o seu Horácio, por aquele Capitão fanfarrão. Capitão mostra-se; mulheres retiram-se. Gracindo conta ao Capitão da desconfiança de Horácio. O Capitão diz que não ama nenhuma daquelas mulheres, e que está apaixonado por uma fidalga veneziana, e que sobre isso poderá dar a sua fé a Horácio. Gracindo contente vai-se. Capitão diz que já pensou no que deve fazer; entra na taberna.

CENA 18: GRACINDO e HORÁCIO
Gracindo conta a Horácio tudo o que se passou com Flamínia, com Isabela e com o Capitão. Fazem sinal debaixo das janelas das amadas.

CENA 19: ISABELA, GRACINDO e HORÁCIO
Isabela à janela, faz cena galante com Horácio; Gracindo toca; nisto

CENA 20: FLAMÍNIA, ISABELA, GRACINDO e HORÁCIO
Flamínia à janela, alegra-se pela reconciliação dos dois. Isabela diz a Horácio que tem de lhe revelar um segredo de seu pai e dela própria, em sinal do amor que tem por ele; nisto

CENA 21: CAPITÃO, GRACINDO e HORÁCIO
Capitão, depois de ter cumprimentado todos os presentes, diz que quer ser intermediário de seus amores, para que fiquem contentes; e aquilo pela amizade que tem com os pais deles. Mulheres, alegres, cumprimentam o Capitão e retiram-se, os amantes ficam; o Capitão diz que ele  também está apaixonado, como é de conhecimento geral, em Veneza. Capitão revela o seu amor e a sua amada Hortência; Horácio espanta-se e narra a sua história (que na verdade chama-se Flamínio, de Gênova, e seu pai o havia prometido a esta mesma mulher, mas ele não quis e fugiu para Bolonha); Horácio promete-lhe ajuda em seu amor, e lhe dá a sua fé. Nisto vêem os velhos vindo. Capitão manda embora os jovens, e ele fica; nisto

CENA 22: PANTALEÃO, FRANCISQUINHA e CAPITÃO
Pantaleão e Francisquinha chegam. Capitão pede a Francisquinha sua filha Flamínia em casamento, em nome de um cavalheiro genovês. Pantaleão exorta-a a concedê-la, dizendo que irão em comitiva, pois ele também irá casar a sua filha com um cavalheiro genovês. Combinam; Francisquinha sai. Capitão diz a Pantaleão que ele se chama Stefanello e sua filha Hortência, e que tinha sido comissionado por seus inimigos para matá-lo, mas que o amor que ele tem por sua filha o deteve, e a pede em casamento. Pantaleão promete. Capitão sai. Pantaleão fica; nisto

CENA 23: BURATINO
Buratino sai da taberna e vê o patrão lamentando-se, abraça-o. Pantaleão, de tanta alegria, chama Isabela e Arlequim.

CENA 24: ISABELA, ARLEQUIM, BURATINO e PANTALEÃO
Isabela e Arlequim afagam Buratino, que diz ser portador de boas novas. Pantaleão e Buratino entram em casa, Isabela diz que tem um assunto para tratar com Arlequim e que logo entrarão também.

CENA 25: ISABELA e ARLEQUIM
Isabela diz a Arlequim que desconfia que seu pai quer dá-la em casamento ao Capitão, e que Horácio ficou com Flamínia, mas que não acredita em nada daquilo; manda-o procurar Horácio, a fim que ele lhe conte tudo. Arlequim sai; nisto

CENA 26: FLAMÍNIA e ISABELA
Flamínia diz a Isabela que um cavaleiro genovês mandou pedi-la em casamento à sua mãe, e que ela a prometeu; Isabela, magoada, chama-o de traidor, e entra chorando.

CENA 27: GRACINDO e FLAMÍNIA
Gracindo entra para cantar o seu amor, mas é interrompido e fica sabendo por Flamínia que Horácio a pediu em casamento à mãe; nisto

CENA 28: ARLEQUIM, GRACINDO e FLAMÍNIA
Arlequim chega e confirma que Flamínia foi pedida em casamento por um genovês. Flamínia, chorando, entra em casa; Gracindo, desesperado, sai. Arlequim fica; nisto

CENA 29: CAPITÃO, HORÁCIO e ARLEQUIM
Horácio entra para cortejar Isabela, Arlequim o vê e tenta lhe perguntar se o genovês que pediu Flamínia em casamento é ele. O Capitão interrompe a pergunta de Arlequim a todo momento perguntando a Arlequim por Pantaleão, mas Arlequim está tentando falar com Horácio; nisto

CENA 30: PANTALEÃO, CAPITÃO, HORÁCIO e ARLEQUIM
Pantaleão entra, todos se calam. Pantaleão vendo o Capitão diz que tudo (sobre os inimigos) o que ele disse é verdade, pois recebeu umas cartas de Veneza, dizendo a mesma coisa. Capitão diz a Pantaleão que ele pode confiar abertamente em Horácio; depois pergunta a Horácio se ele está pronto a lhe dar aquela ajuda em seu amor, que ele prometeu. Horácio: que está mais do que pronto. Capitão faz com que Pantaleão revele quem ele e sua filha, pela qual o Capitão está apaixonado, na verdade são. Pantaleão se revela Stefanello e diz possuir uma filha chamada Hortência. Capitão pede que Horácio interceda junto ao pai para que ele a conceda em casamento. Horácio roga Pantaleão que conceda-a ao Capitão. Pantaleão concorda. Pantaleão e Capitão vão embora juntos. Horácio fala a Arlequim que finalmente conheceu o pai de Hortência a quem ele estava prometido. Arlequim fala que Hortência e Isabela são a mesma pessoa e que Pantaleão é o pai de Isabela. Horácio aflige-se de sua má sorte com Arlequim, que lhe diz que não é preciso lamuriar-se, já que ele ficou com Flamínia. Horácio: que não é verdade; nisto

CENA 31: ISABELA, HORÁCIO e ARLEQUIM
Isabela chama Horácio de traidor. Ele nega; nisto

CENA 32: FLAMÍNIA, ISABELA, HORÁCIO e ARLEQUIM
Flamínia entra, vê os dois, e confirma que sua mãe a deu a um cavalheiro genovês. Ele se desculpa, dizendo que foi traído pelo Capitão, e que Isabela não tinha de ser dele, desde que lhe fora prometida em Gênova, sob o nome de Hortência, e ele não a merecia, revelando ser Flamínio de’ Franchi, genovês. Isabela, ouvindo aquele nome, desmaia nos braços de Arlequim, e levam-na para casa com Flamínia.

CENA 33: BURATINO e ARLEQUIM
Buratino diz que aquele Capitão brincou com ele pois suas cartas estavam sem o lacre; nisto, Arlequim volta, e Buratino lhe conta que conheceu o Capitão, que ficou bêbado e que no dia seguinte suas cartas estavam sem lacre; imaginando a falcatrua das cartas, que o Capitão fez; nisto

CENA 34: CAPITÃO, BURATINO e ARLEQUIM
Capitão alegre que por ser muito esperto irá se casar; Arlequim manda Buratino ficar apartado, depois, com destreza, pergunta-lhe se ainda está alojado na Taberna do Urso, e se conhece um certo Buratino. Capitão: que não o conhece. Buratino revela-se ao Capitão, que nega conhecê-lo; se pegam com palavras, criados dão-lhe pauladas, ele lança mão da espada; Buratino foge. Nisto

CENA 35: GRACINDO, HORÁCIO, CAPITÃO e ARLEQUIM
Gracindo e Horácio chegam duelando àquela balbúrdia.

CENA 36: PANTALEÃO, FRANCISQUINHA, GRACINDO, HORÁCIO, CAPITÃO e ARLEQUIM
Chegam para se porem no meio; tranqüilizam, depois Horácio chama o Capitão como testemunha de que ele não pediu Flamínia em casamento, de modo algum. Capitão faz os dois se apaziguarem, depois Horácio, põe-se de joelhos diante do Capitão, dizendo que, já que lhe tirou sua mulher (sem a qual não pode viver), que lhe tire a vida também. Capitão concorda, mas que antes quer se casar com Isabela em sua presença; diz a Pantaleão que a chame. Arlequim chama-a.

CENA 37: ISABELA, PANTALEÃO, FRANCISQUINHA, GRACINDO, HORÁCIO, CAPITÃO e ARLEQUIM
Isabela surge; Capitão casa-se com ela dizendo: “eu me caso com Hortência, e como minha mulher entrego-a a ti Flamínio genovês”. Pantaleão espanta-se, mas concede o casamento. Horácio agradece; Gracindo quer casar-se com Flamínia; Francisquinha concede, retira a máscara e casam-se; Capitão mostra uma carta, e diz que ele havia visto o nome dos inimigos e a asneira de Buratino que não observou o pedaço da carta que ele retirou na qual dizia que os inimigos tinham perdoado Stefanello já que o jovem veneziano que tentou seqüestrar Hortência sobreviveu. Felicidade geral.

Final da comédia.

Cenas a serem ensaiadas
·         Buratino diz ter uma carta dele; lê muitas cartas, e entre elas as de Pantaleão dizendo: “Estas são do meu patrão, Pantaleão”.
·         Capitão lê a sua carta do jeito dele (em espanhol, elogiando a si próprio).
·         Capitão vê o nome dos inimigos de Pantaleão; e faz sobre isso muitos planos.
·         Gracindo toca na cena galante de Isabela e Horácio.
·         Pantaleão e Francisquinha combinam a comitiva do casamento em Gênova.
·         Capitão ter sido comissionado por seus inimigos para matar Pantaleão.
·         Horácio entra para cortejar Isabela, Arlequim o vê e tenta lhe perguntar se o genovês que pediu Flamínia em casamento é ele. O Capitão interrompe a pergunta de Arlequim a todo momento perguntando a Arlequim por Pantaleão, mas Arlequim está tentando falar com Horácio.
·         Arlequim e Buratino dão-lhe pauladas, Capitão lança mão da espada.
·         Gracindo e Horácio chegam duelando.
·         Capitão casa-se com Hortência
·         Gracindo casa-se com Flamínia;