sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A Dama Demônio

A DAMA DEMÔNIO. 
Tradução, adaptação e argumento: Marcus Villa Góis. Manuscrito original conservado na Biblioteca Vaticana Roma, Codice Vaticano Latino 10244. Publicado por: TESTAVERDE, Anna Maria. I Canovacci della Comedia dell’Arte. Torino: Giulio Einaudi, 2007.
Personagens
Pantaleão, pai de – Ator 1.
Isabela e – Ator 5.
Horácio. – Ator 6.
Francisquinha, serva – Ator 2.
Cola, servo – Ator 4.
Graciano, pai de – Ator 4.
Flamínia. – Ator 2.
Flávio. – Ator 7.
Arlequim, seu servo. – Ator 3.
Carregador –  Ator 6

Coisas:
Dois candeeiros. Quatro cartas. Dois xales brancos (que cobrem a cabeça). Bandeja com refrescos. Saco com um gato dentro. Mesa. Papel e caneta. Uma mala. Violão. Chave para Pantaleão. Espada que perca o cabo para Horácio. Corda.

Argumento
Vivia em Roma, cidade eterna, um distinto mercador conhecido por Pantaleão que havia comprado uma antiga casa por módico preço. Nesta casa, além do mercador foram morar os seus filhos: Horácio e Isabela; e seus respectivos criados: Cola e Francisquinha. Ao lado da antiga casa, onde passou a morar esta família,  morava o doutor Graciano e sua filha Flamínia. Pantaleão e Graciano eram amigos de muitos anos, mas o primeiro desejava secretamente a filha do amigo. O mesmo mercador, porém, sempre foi muito rígido com a própria filha Isabela, não deixando-a passear na rua e instruindo seu filho Horácio que a vigiasse. Por ficar muito em casa, Isabela junto com sua criada Francisquinha descobriram segredos da casa que ninguém mais conhecia, inclusive saídas secretas. Acontece que certo dia chegou na cidade um forasteiro e seu criado, parente distante de Pantaleão, que desejavam hospedar-se uma noite em Roma. A história segue-se a partir desses fatos.

Cidade: Roma

CENA 1: FLÁVIO e ARLEQUIM
Flávio fala com Arlequim da sua chegada em Roma, e Arlequim sobre o comer: fazem lazzi. Nisto.

CENA 2: ISABELA, FRANCISQUINHA, FLÁVIO e ARLEQUIM
Chegam Isabela e Francisquinha com xales cobrindo as cabeças e imploram que Flávio e Arlequim as defendam de quem às seguem. Eles prometem, as mulheres saem, eles ficam. Nisto.

CENA 3: HORÁCIO, COLA, FLÁVIO e ARLEQUIM
Horácio e Cola perseguem as mulheres. Lazzi de Arlequim para tentar parar eles. No fim, Horácio e Flávio puxam as armas.

CENA 4: PANTALEÃO, HORÁCIO, COLA, FLÁVIO e ARLEQUIM
Pantaleão se coloca no meio depois dos lazzi de Arlequim, Pantaleão reconhece Flávio, pacifica o filho Horácio e convida Flávio a hospedar-se em sua casa. Lazzi de Arlequim, Flávio aceita, e manda Arlequim pegar as coisas deixadas. Arlequim sai. Pantaleão e Flávio, comentam da viagem, vão embora juntos. Horácio e Cola ficam e batem na porta de Flamínia.

CENA 5: FLAMÍNIA, HORÁCIO e COLA
Flamínia aparece na janela. Faz cena de amor com Horácio. Depois ela entra. Eles discutem sobre os forasteiros, depois Horácio comenta da irmã e Cola de Francisquinha, e para adverti-las que estarão hospedados na casa de Pantaleão, saem.

CENA 6: GRACIANO e FLAMÍNIA.
Graciano e Flamínia saem para passear, e Graciano diz a Flamínia que quer solicitar uma coisa, deixá-la na casa de Pantaleão. Ela contente acena que assim poderá falar com Isabela e Horácio. Graciano manda Flamínia para casa e ele sai para encontrar Pantaleão.

CENA 7: ISABELA E FRANCISQUINHA
Isabela e Francisquinha, sem o xale na cabeça, falam do perigo que correram e da dúvida de terem sido reconhecidas por Horácio, comentam sobre os forasteiros (que gostou deles e que lhe mandará uma carta de amor). Nisto.

CENA 8: HORÁCIO, COLA, ISABELA e FRANCISQUINHA
Horácio avista as moças e avisa a Cola. Mulheres suspeitam que foram reconhecidas, ao fim entendem que o Pai recebeu em casa os forasteiros, eles recomendam honradez. Cola e Horácio partem. Francisquinha diz a patroa a coisa do quadro e para vê-lo, retiram-se.

Quarto com quadro falso

CENA 9: PANTALEÃO, FLÁVIO, depois ARLEQUIM com CARREGADOR
Pantaleão designa o quarto a Flávio com sua chave dizendo não ter outra entrada, nisto Arlequim com Carregador que traz as coisas, põe por terra e sai o carregador. Pantaleão manda Flávio repousar e sai. Flávio ordena que Arlequim faça pouco barulho e se retira.

CENA 10: ARLEQUIM, depois FRANCISQUINHA atrás do quadro
Cena de lazzi de Arlequim no cantar e tocar o violão, nisto Francisquinha responde de trás do quadro, ele fechando o quarto foge assustado.

CENA 11: FRANCISQUINHA e ISABELA
Quando Arlequim foge, Francisquinha sai de trás do quadro e chama Isabela. Esta vem pelo mesmo caminho. Abrem a mala, Isabela escreve o bilhete amoroso, e o põe sob a mala. Ouvindo rumores de pessoas, se retiram por trás do quadro.

CENA 12: ARLEQUIM, FLÁVIO, ISABELA atrás do quadro, depois FRANCISQUINHA
Arlequim com o candeeiro entra no quarto com Lazzi (de medo), vê as coisas no chão. Entra Flávio que tropeçando cai, fazem cena de bêbado. Flávio vai trocar de roupa e acha o bilhete, o lê. Arlequim diz a Flávio que escreva uma carta para ele, Flávio aceita contanto que Arlequim dite. Arlequim aceita e Flávio escreve. Isabela, de trás do quadro, observa a cena. Flávio rasga a carta e ordenando a Arlequim que pegue um lenço, se retira. Francisquinha assume o lugar de Isabela atrás do quadro. Arlequim abre o baú, pega uma fronha, onde deve estar o lenço. Enquanto arruma o que colocou pra fora, Francisquinha entra por trás do quadro, e coloca um gato dentro da fronha. Arlequim pega a fronha e o gato mia muito alto, com lazzi de medo Arlequim termina a cena e sai. Francisquinha, rindo, muda o cenário para Cidade pega mala e sai.

Cidade

CENA 13: PANTALEÃO E GRACIANO
Pantaleão e Graciano fazem cena de amizade. Graciano pede a Pantaleão que receba em sua casa por um dia e uma noite Flamínia sua filha, porque ele deve estar fora de casa e não quer deixá-la só, mas em companhia de Isabela, sua filha. Pantaleão acena ao público ser um amante. Se alegra e manda que o Graciano chame Flamínia.

CENA 14: FLAMÍNIA, PANTALEÃO, GRACIANO, depois ISABELA.
Graciano chama Flamínia que vem e entende tudo. Pantaleão chama Isabela que vem receber Flamínia, cena de elogios, mulheres entram em casa. Velhos saem mudando cenário.

Quarto

CENA 15: FRANCISQUINHA e ARLEQUIM, depois FLÁVIO
Francisquinha sai do quadro carregando bandeja com duas cartas, e a mala deles. Nisto Arlequim entra no quarto com candeeiro. Francisquinha, por trás, apaga-o e lhe dá um tapa. Ele gira e nisto entra Flávio. Flávio se bate no escuro com Francisquinha, que lhe deixa na mão a bandeja e parte pelo quadro. Flávio manda Arlequim pegar uma luz. Ele acende o candeeiro, procuram por alguém, não encontram ninguém. Flávio lê as cartas, Arlequim faz lazzi de medo. Ao fim, Flávio dizendo que ele pegue as cartas e a mala, parte em viagem. Arlequim pegando, mas as deixa as cartas cair, enquanto sai apressado.

(na frente do palco)

CENA 16: ISABELA, FLAMÍNIA depois FRANCISQUINHA
Isabela contando a Flamínia o seu novo amor, entra Francisquinha e lhe conta o que ocorreu aos forasteiros, nisto

CENA 17: ISABELA, FLAMÍNIA, FRANCISQUINHA E PANTALEÃO
Pantaleão diz as mulheres da viagem de Flávio, mulheres entram em desvario. Pantaleão faz sua cena de afeto com Flamínia. Mulheres se retiram, Pantaleão fica dizendo querer pedir Flamínia ao Graciano quando ele voltar e sai.

CENA 18: FLÁVIO E ARLEQUIM
Arlequim foge de Flávio com um porrete por causa do esquecimento das cartas. Flávio acena ter os cavalos selados e querer os escritos, todos dois saem.

(no palco)

CENA 19: ISABELA E FRANCISQUINHA do quadro, depois FLÁVIO E ARLEQUIM
Isabela sai do quadro com o xale que cobre a cabeça e lanterna apagada e diz a Francisquinha que fique dentro até que ela a chame, pois vai verificar se eles já viajaram. Francisquinha que obedecerá. Isabela vê as cartas e conclui que não viajaram. Nisto, Flávio e Arlequim vem procurar as cartas. Arlequim diz que agora era hora que o fantasma desse a luz. Isabela cobre a cabeça e acende a lanterna, temor de Flávio e Arlequim. Fazem a cena do fantasma. Flávio e Arlequim vão fechar a porta para que o fantasma não escape. Nisto, Isabela apaga a lanterna e vai embora pelo quadro com pressa.

CENA 20: FLÁVIO e ARLEQUIM
Dizem ter fechado a porta, procuram e não vêem ninguém; dizem que foi uma ilusão. Flávio se põe a procurar as cartas no chão, no escuro, lazzi de Arlequim que também procura, tropeça, cai até que batam a cabeça e caiam desmaiados.

CENA 21: ISABELA e FRANCISQUINHA com xales e duas lanternas, FLÁVIO E ARLEQUIM.
Isabela e Francisquinha aparecem pelo quadro e fazem cena chamando-os. Flávio pega o xale de Isabela que apaga a luz, mas deixa cair a lanterna, mulheres saem pelo quadro, deixando uma lanterna no chão. Flávio fica com o xale e ordena a Arlequim uma lanterna. Ele pega a lanterna no chão e acende, Flávio se retira dizendo que encontrará a dona do xale e das cartas, sua amada. Arlequim fica com medo e com a lanterna acesa, dizendo não ser mulher e sim a Dama Demônio.

CENA 22: ARLEQUIM e FRANCISQUINHA
Lazzi de Arlequim que treme petrificado. Nisto, Francisquinha de fantasma o assusta. Arlequim assustado corre para fora do quarto. Ela corre atráz.

(na frente do palco)

CENA 23: ARLEQUIM e FRANCISQUINHA de fantasma.
Arlequim correndo e gritando “A Dama Demônio!”. Francisquinha chega assustando-o. Ele assustado retira o xale dela. Ela ri. Ele a reconhece da rua. Ela manda chamar o patrão. Ele grita chamando-o.

CENA 24: FLÁVIO, FRANCISQUINHA e ARLEQUIM
Flávio surge. Arlequim e Flávio são conduzidos no escuro por Francisquinha até o quarto, ela diz que esperem que agora entrará em cena a sua patroa e sai pelo quadro. Eles fazem confusão. Nisto

(no palco)

CENA 25: ISABELA e FRANCISQUINHA  FLÁVIO, ARLEQUIM do quadro
Entra Isabela e Francisquinha no escuro pelo quadro. Isabela ordena Francisquinha os refrescos. Francisquinha vai e volta com os refrescos em uma mesa e com luz se faz a cena de namoro. Nisto, Horácio chama (na frente do palco) as mulheres. Elas se alteram. Isabela ordena Francisquinha levar embora Flávio e Arlequim pelo quadro, e saem. Nisto

CENA 26: HORÁCIO e ISABELA
Horácio entra perguntando o que ela fazia no quarto dos forasteiros. Ela responde: “um pouco de recreação”. Nisto ouve-se um barulho de porta e Horácio suspeita e parte para verificar. Isabela quer segurá-lo, mas ele determinado vai pela porta. Temor de Isabela de ser descoberta pelo irmão, ela foge pelo quadro.

CENA 27: ARLEQUIM, FLÁVIO, FRANCISQUINHA do quadro, depois HORÁCIO do quadro
Francisquinha conduz pelo quadro Flávio e Arlequim. Ela diz que o quarto está vazio e que ali devem estar seguros. Ela parte pelo quadro para procurar a patroa, eles confusos ficam; nisto Horácio volta chamando Isabela. Arlequim se esconde embaixo da mesa. Flávio põe a mão (na espada) Horácio re-prova a ação e quer duelar. Horácio retira a mesa que impede e descobre Arlequim escondido. Prende ele no quarto e ao fazer isso Horácio perde o cabo da espada. Flávio manda ir pegar outra. Horácio parte. Flávio vai atrás. Arlequim, amarrado, chama o patrão e Flávio sai.

(na frente do palco)

CENA 28: PANTALEÃO e depois ISABELA
Pantaleão afirma não saber onde esteja Flamínia e Isabela, nisto Isabela entra fugindo do irmão, pede ajuda ao pai. Pantaleão pega ela e diz querer prendê-la no quarto para depois esclarecer o que houve entre ela e o irmão. Partem.

(no palco)

CENA 29: ARLEQUIM
Arlequim amarrado foge pelo quadro pulando.

CENA 30: ISABELA, PANTALEÃO e ARLEQUIM
Pantaleão tranca-a no quarto e diz que ela ficará lá até que o irmão apareça. Pantaleão sai. Arlequim retorna pelo quadro. Isabela desamarra Arlequim e fogem pelo quadro.

(na frente do palco)

CENA 31: FLÁVIO e ARLEQUIM. PANTALEÃO do quarto, depois ISABELA.
Flávio faz cena de perplexidade com Arlequim de como ele se soltou, nisso Pantaleão gritando (no palco) procura Isabela em cena dizendo tê-la prendido naquele quarto, sai do quarto. Flamínia entra, vê Flávio, ele a reconhece como amante. Ela conta que o pai a prendeu, mas ela fugiu e pede proteção. Ele promete, nisso

CENA 32:PANTALEÃO, HORÁCIO, FLÁVIO, ARLEQUIM e ISABELA
Pantaleão entra ouvindo de Horácio que Flávio não se foi. Ao avançar Horácio vê Flávio com Isabela, vai em sua direção para duelar. Pantaleão também repudia Flávio que se coloca em defesa e procura desculpar-se, nisto, Horácio saca a espada e duelam.

CENA 33:GRACIANO e FLAMÍNIA, PANTALEÃO, HORÁCIO, FLÁVIO, ARLEQUIM e ISABELA
Graciano e Flamínia entram por causa da confusão. Flamínia e Isabela se colocam no meio para separar a luta. Arlequim o mesmo. Graciano pede a Pantaleão que deixe que Flávio possa desculpar-se. Pantaleão afagando Flamínia concede. Horácio repreende o pai pelos afagos. Flávio narra resumidamente sua partida, o motivo do seu retorno (as cartas) e todo o ocorrido. Isabela ajoelhada conta tudo a seu pai (as cartas, o quadro, o fantasma) e lhe perde perdão. Pantaleão fica com raiva de sua filha. O Graciano apazigua a raiva do amigo, dizendo que as mulheres estão com os hormônios à flor da pele. Pantaleão diz que com ele ocorre o mesmo. Horácio faz cena de amizade com Flávio que solicita a mão de Isabela em casamento. Horácio dá um passo para duelar. Graciano o intercepta chamando Flamínia e dando-a a Horácio em casamento. Pantaleão consente os dois casamentos. Segue o casamento de Isabela e Flávio e de Horácio com Flamínia. Com os agradecimentos de Arlequim termina a comédia.

Cenas a serem ensaiadas
Arlequim sobre o comer: fazem lazzi
Lazzi de Arlequim para tentar parar eles
Flamínia aparece na janela. Faz cena de amor com Horácio
Lazzi de Arlequim no cantar e tocar o violão, nisto Francisquinha responde de trás do quadro.
Arlequim com o candeeiro entra no quarto com Lazzi (de medo).
Flávio que tropeçando cai, fazem cena de bêbado.
Arlequim dite. Arlequim aceita e Flávio escreve.
Arlequim pega a fronha e o gato mia muito alto, com lazzi de medo.
Pantaleão e Graciano fazem cena de amizade.
Isabela que vem receber Flamínia, cena de elogios.
Flávio lê as carta.
Pantaleão faz sua cena de afeto com Flamínia.
Fazem a cena do fantasma.
Arlequim que também procura, tropeça, cai até que batam a cabeça e caiam desmaiados.
Flávio e Isabela: cena de namoro.
Horácio faz cena de amizade com Flávio.
Casamento de Isabela e Flávio e de Horácio com Flamínia.
Agradecimentos de Arlequim termina a comédia.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A Força da Magia

A FORÇA DA MAGIA

Personagens
Flávio, amante de Leucippe – Ator 7
Isabela, mas Leucippe – Ator 5
Graciano, pai de – Ator 4
Flamínia, amante de Flávio, depois se descobre irmã – Ator 2
Horácio, amante de Flamínia – Ator 6
Arlequim, bobo favorito de – Ator 3
Zoroastro, mago – Ator 4
Covielo, companheiro de Arlequim – Ator 6
Crolo, Espírito que não fala – Ator 1

Coisas: Grinalda de flores e 3 coroas de loro

Argumento
Em um tempo muito remoto, muito antes da escrita ser inventada, existia na Grécia meridional uma região que se chamava Arcádia, onde todos os habitantes viviam em paz e esplendor. As principais cidades desta região eram Menfi e Antiniana. Na Arcádia se cultuava todos os deuses antigos sem distinção ou preconceitos, até que um dia, pela intolerância de um dos deuses, em relação aos outros, Menfi foi atacada por inimigos. Foi um sacerdote de Menfi, conhecido por Nicandro, que incitou o seu deus a iniciar a guerra, conclamando-o o melhor dos deuses. Foi o mesmo Nicandro que sofreu a primeira retaliação: sua filha Leucippe desapareceu sem uma explicação aceitável, dizem que ela teria mudado o próprio nome. O outro filho do sacerdote, chamado Horácio, também teve de fugir. Nicandro foi morto.  A guerra em Menfi envolveu a cidade vizinha, Antiniana, que teve muitos jovens adolescentes seqüestrados e mortos por amarem o Deus: Eros. Um jovem de Antiniana, chamado Eurillo, já conhecedor de muitas cidades e adorador de Eros, teria deixado um amor em Menfi, e enquanto adorava seu Deus, foi envolvido em uma violenta luta e perdeu a memória, lembrando-se somente de sua amada. Essa história, que se verá agora, se passa em Antiniana alguns anos depois, quando a cidade sofre de escassez, pois dessa vez foi o templo de Diana que foi profanado.

CENA 1: ARLEQUIM e COVIELO
Arlequim gritando com Covielo que não se sustenta em pé pelo cansaço e que desmaia de fome; Covielo que descanse um pouco porque quer ver na próxima cabana se consegue obter um pouco de pão para o seu sustento e sai. Arlequim depois dos seus suspiros se adormenta. Nisto

CENA 2: ZOROASTRO, CROLO e ARLEQUIM
Zoroastro se revela um grande Mago e que para castigar a vila, que profanou o templo de Diana e rompeu com as leis comuns, foi destinado o flagelo daquela gente; vê Arlequim, diz querer, com passes mágicos, difundir uma força para desconcertar o povo, faz seus passes mágicos, invoca Crolo diz que olhe aquele homem. Vem um espírito debaixo da terra e acorda Arlequim. Arlequim acordado faz seus lazzi de medo; Zoroastro que não se assuste que ele será o mais feliz que existirá na vila Antiniana e sai. Arlequim se vê ao lado do Espírito, o acaricia, o Espírito faz uma dança; Arlequim aprecia. Nisto

CENA 3: COVIELO, CROLO e ARLEQUIM
Covielo vê um rapaz dançar com Arlequim pergunta quem é ele; o Espírito foge. Arlequim lhe conta o ocorrido com Zoroastro, que lhe disse que ele será o homem mais feliz de Antiniana; Covielo que pode ser, pois este Zoroastro é um mago conhecido por todos, partem com Covielo dizendo ter encontrado alojamento na próxima cabana. Saem.

CENA 4: GRACIANO e FLÁVIO
Graciano alegrando Flávio, que não viva assim tão melancólico lembrando mais a ama que perdeu o filho; Flávio dá os seus suspiros; Graciano que é clara a causa da sua dor. Flávio, depois de muito solicitado por Graciano, lhe diz que ele amava uma ninfa de beleza singular desde adolescente e que ela correspondia com recíproco afeto, mas quando o pai dela percebeu este amor, a ameaçou de morte e ela desesperada fugiu do seu país; nunca mais se soube nada dela por mais que fizessem as buscas. Foi quando ele desesperado abandonou a vila e tendo rodado por vilas, montanhas e planaltos sem nunca tê-la encontrado veio parar em Antiniana, onde a sua boa intuição o aconselhou. Graciano conta que ele perdeu um filho nas revoltas de Antiniana, mas que já está em paz, que fique alegre porque talvez  re-encontre sua ninfa. Sai Graciano fica Flávio. Nisto

CENA 5: FLAMÍNIA e FLÁVIO
Flamínia vê Flávio, lhe diz: “o que há que sempre suspira?”; diz que se alegre sabendo muito bem quanto o ama Graciano seu pai e ela; Flávio que ele sabe muito bem da bondade que eles tem por ele, mas que a dor que lhe aflige é interna; Flamínia que talvez esteja apaixonado por Isabela filha de Selvaggio; Flávio que não conhece Isabela, que não sabe quem ela seja, mas que a sua bela adorada já morreu; Flamínia que amar os mortos é uma loucura e solicita o seu amor; Flávio que tenha compaixão, que não pode amar; Flamínia desesperada parte. Nisto

CENA 6: HORÁCIO e FLÁVIO
Horácio vê Flávio, fazem seus abraços, depois lhe revela estar apaixonado por Flamínia; Horácio se alegra com Flávio, que saia da melancolia que seu mau o causou; Flávio que nunca mais pois sua dor é infinita; Horácio que o quer levar a divertir-se na sua casa; Flávio promete ir, mas que quer avisar Graciano e sai. Horácio fica. Nisto

CENA 7: FLAMÍNIA e HORÁCIO
Flamínia ao ver Horácio diz sempre encontrar-se com Horácio, por ela odiado. Horácio faz sua cena de amor com Flamínia; Flamínia seus desprezos, que ame Isabela, pois ela (Flamínia) não tem coração nem desejo para amar ele; Horácio seu desespero e que a seu respeito, ainda que não queira amá-lo, a quer seduzir. Ela sai, ele vai atrás.

CENA 8: COVIELO e ARLEQUIM
Covielo conta as cortesias que lhes fizeram àquelas ninfas na cabana e que quer ir no templo das três Deusas, segundo o que lhe avisou  o espírito Crolo, não deve transgredir as ordens que Zoroastro estabeleceu; Arlequim concorda, conta os obséquios que lhes fizeram todos os pastores e conta dos presentes que recebeu, se encaminham para o templo.

CENA 9: ISABELA e GRACIANO
Isabela implorando para que Graciano conduza sua filha Flamínia à sua casa; Graciano promete, mas logo depois que tiverem feito suas funções no templo, que se encontrarão (os três) no templo; Isabela que assim ela os conduzirá no momento certo, e sai. Nisto

CENA 10: FLÁVIO, GRACIANO
Flávio diz a Graciano que tendo sido convidado por Horácio, seu amigo, a ir à sua casa, queria pedir a ele permissão, em atenção à sua fé; Graciano elogia a sua obediência, mas que antes deve ir ao templo, seguindo o rito da casa de adorar os deuses; Flávio que irá adorar o sacrifício e vão para oferecer os seus votos.

Selva (bosque) com Templo (na luz)

CENA 11: ARLEQUIM, COVIELO e CROLO espírito
Arlequim diz que aquele é o templo das três Deusas que precisa venerar; Covielo e Arlequim oferecem três coroas de loro; Crolo lhes acena que façam a adoração e ofereçam os seus corações aos deuses no templo que estão adorando. Nisto

CENA 12: ISABELA, FLAMÍNIA, ARLEQUIM, COVIELO e CROLO espírito
Isabela vai no templo, vê Arlequim, lhe faz a adoração; Flamínia faz o mesmo, e entre elas discutem como é inusitado o resplendor de luz daquele homem, concluem entre elas que não pode ser nada além de um deus, se ajoelham a seus pés adorando-o; Arlequim diz a Covielo que aquelas mulheres lhes comovem o coração; Covielo que é preciso estar em pé e sério, para que não se estrague a trama; Arlequim que aquela grande mulher lhe feriu o coração e que lhe está tocando com as mãos; Covielo que fique parado. Nisto

CENA 13: FLÁVIO, GRACIANO, ISABELA, FLAMÍNIA, ARLEQUIM, COVIELO e CROLO
feitas as adorações todos três ficam maravilhados ao ver Arlequim, se ajoelham aos seus pés dizendo que ele é o libertador deles, ele restituirá a vila de Antiminia ao que era, vão beijar-lhe as mãos; Arlequim com medo quer fugir; Covielo que fique parado, mulheres em torno para abraçá-lo; Arlequim abraça Isabela; Flávio reconhece Isabela e vai abraçá-la; Arlequim balbuciando chama Crolo, o espírito, e ordena que Flávio seja castigado; Flávio começa a sua loucura fazendo cena sobre a sua bela Leucippe (Isabela); Arlequim que aquele é louco e conduz consigo Isabela; todos saem junto a Arlequim cortejando-o; Flávio que já se encontra fora de si lamenta que ame tanto a sua ninfa.

De volta à cidade

CENA 14: FLAMÍNIA e FLÁVIO
Flaminia perguntando a Flávio o que ele sente e por que faz estas extravagâncias; Flávio a chama de bárbara porque ela roubou o seu bem, a sua cara selvagem Leucippe; Flamínia que ele é tolo, que ame ela que o adora e deixe qualquer outra ninfa; Flávio que Leucippe é a sua alma e faz extravagâncias por ela. Nisto

CENA 15: HORÁCIO, FLAMÍNIA e FLÁVIO
Horácio vê Flávio furioso e o detém; Flávio vai ao seu encontro dizendo: “Você usurpou o meu bem, traidor infiel”. Horácio que ele se engana e que só adora Flamínia, aquela Flamínia que o despreza e aborrece. Flamínia que tem aplicado a outro o seu gênio, quer levar Flávio consigo; ele furioso parte. Horácio para abrandar Flamínia; Flamínia que se cansa à toa e partem.

CENA 16: GRACIANO e COVIELO
Graciano pergunta a Covielo de onde veio aquele Deus; Covielo que ele não sabe, mas enquanto ia para aquela casa apareceu aquele homem e o levou preso, às suas ordens, e lhe conta infinitas façanhas: ter passado rios e montanhas com facilidade e que na selva os animais mais ferozes se ajoelhavam aos seus pés. Graciano roga a Covielo que queira abrandar a ira concebida contra Flávio; Covielo promete. Nisto

CENA 17: ISABELA, GRACIANO e COVIELO
Isabela rogando a Graciano para ver Flávio; Graciano afirmando que Flávio está fora de si, está frenético por ela, que este homem, como servo daquele homem pródigo, que apareceu no templo, pode ajudá-la. Isabela faz suas súplicas à Covielo; Covielo que tentará ajudá-la; sai Isabela e Graciano, fica Covielo. Nisto

CENA 18: ARLEQUIM, COVIELO e CROLO espírito
Arlequim entra em cena falando sobre os abraços que queria dar naquela Ninfa que se deslumbrava por ele no templo. Que fez Flávio enlouquecer graças às virtudes do espírito e do Mago, que lhe deu o poder de ordenar. Covielo que ele precisa fazer voltar a si Flávio; Arlequim que não, porque ele lhe tirará a ninfa; Covielo que aquilo é uma injustiça; Arlequim chama Crolo; Crolo lhe fala ao ouvido, depois Arlequim diz a Covielo que não se pode fazer nada, Crolo desaparece com raiva. Nisto Arlequim promete pensar. Nisto

CENA 19: FLAMÍNIA, ARLEQUIM e COVIELO
Flamínia corre para abraçar Arlequim e suplica que a agracie para que seja correspondida por Flávio e que o devolva ao seu estado natural; Arlequim que quer servi-la e chama Crolo, ele lhe fala ao ouvido. O espírito trás uma grinalda e dá a Arlequim; Arlequim coloca-a na cabeça de Flamínia e sai com Covielo. Nisto

CENA 20: FLÁVIO e FLAMÍNIA
Flávio vê a ninfa com a grinalda mágica, pensa ser Isabela; vai ao seu encontro e faz cena amorosa dizendo como encontra-se naquele lugar Leucippe, Flamínia crê que seja um efeito da sua loucura chamá-la de Leucippe; mesmo assim fazem cena de amor entre eles. Nisto

CENA 21: ISABELA, FLÁVIO e FLAMÍNIA
Isabela ouve que Flávio ama Flamínia, com ciúmes, chama Flávio de infiel e Flamínia de traidora que roubou o seu amor. Flávio com raiva contra Isabela lhe diz: “ô diabo dos infernos saia da minha frente”; Isabela grita suas censuras contra a sua infidelidade. Flávio conduz consigo Flamínia para fora do palco; Isabela chorando pelo infiel Flávio. Nisto

CENA 22: ARLEQUIM e ISABELA
Arlequim vê chorando Isabela, lhe faz carícias; Isabela manda que se afaste dela; Arlequim suas delicadezas; Isabela insiste que se afaste, que ela não ama outro além de Flávio. Arlequim chama Crolo, lhe fala ao ouvido e lhe põe uma grinalda na cabeça transformando Arlequim em Flávio; Parte o espírito, Isabela diz: “Flávio meu caro, porque tão infiel se mostre, quando eu por ti morro?” Arlequim revela o seu amor, que lhe quer bem e que sofre por ela, pega em sua mão. Nisto

CENA 23: HORÁCIO, ARLEQUIM e ISABELA
Horácio os vêem de mãos dadas, se alegra por Arlequim, que acredita ser Flávio, por ter resolvido os seus amores com Isabela; Arlequim que lhe quer bem de dentro do seu coração, e saem Isabela e Arlequim. Horácio fica. Nisto

CENA 24: FLAMÍNIA e HORÁCIO
Flamínia vê Horácio, diz que ele é o objeto do seu ódio, mas como Flamínia não está com a grinalda encantada na cabeça não se afigura com Isabela; Horácio suplica o seu amor da mesma forma que se amam Flávio a Isabela; Flamínia que ela é Flamínia e não Isabela e que Flávio a ama; Horácio que ela se engana porque ele acabou de ver Flávio com as mãos dadas a Isabela; Flamínia que ele é louco. Nisto

CENA 25: FLÁVIO, FLAMÍNIA e HORÁCIO
Flávio vê Horácio, o cumprimenta. Flamínia diz a Horácio que verá com seus próprios olhos o amor que Flávio tem por ela, vai pegar em sua mão; Flávio se afasta dizendo que ame Horácio, que ele ama Leucippe. Flamínia suas aflições; Horácio que ela é besta, que Flávio adora Isabela. Nisto

CENA 26: ISABELA, FLÁVIO, FLAMÍNIA e HORÁCIO
Isabela corre da direção de Flávio para abraçá-lo; Flamínia com ciúmes que Flávio é seu; Flávio que Leucippe, é sua; Horácio seduzindo Flamínia, que aperta o seu Flávio. Nisto

CENA 27: ARLEQUIM, ISABELA, FLÁVIO, FLAMÍNIA e HORÁCIO
Arlequim vê Isabela com mãos dadas a Flávio, chama Crolo; Crolo com a grinalda, a põe na cabeça de Arlequim que assume a figura de Flávio. Isabela deixa Flávio e vai em direção a Arlequim que a encanta como se fosse Flávio. Flamínia também o toma pela mão; Arlequim a encanta como se fosse Flávio; Arlequim dá suas risadas enganando a todos e levando embora, com seus lazzi de saudações, as mulheres. Horácio e Flávio se admiram sem palavras e saem.

CENA 28: ARLEQUIM, COVIELO
Arlequim se gabando pela boa vida que têm entre aqueles homens e sobre os poderes dados pelo Mago Zoroastro, de ter-lhes dado aquele espírito familiar que lhes diz tudo. Fala dos poderes da grinalda que transforma a fisionomia das pessoas de acordo com o seu querer. Covielo diz que ele não opere com injustiça, porque o Mago poderia tirar-lhe os poderes. Arlequim que aquela diaba da Isabela lhe feriu o coração. Arlequim que quer dar uma satisfação à pessoa de Graciano, a quem quer que todos se enamorem. Nisto

CENA 29: GRACIANO, ARLEQUIM e COVIELO
Graciano saúda Arlequim como seu deus protetor, diz que se pudesse obrigaria toda a vila a saudá-lo naquele lugar; Arlequim chama Crolo; Crolo lhe fala ao ouvido e lhe traz um colar de loro; Arlequim pega e o dá a Graciano, que o coloque no peito; Graciano obedece. Arlequim e Covielo que quer ir encontrar as ninfas, partem. Graciano fica, nisto

CENA 30: ISABELA e GRACIANO
Isabela vendo Graciano acredita ser Flávio, vai abraçá-lo chamando-o Flávio; Graciano seus estupores que ela enlouqueceu como Flávio; Isabela que não lhe dê mais tormentos, que lhe dê a mão; Graciano lhe dá. Nisto

CENA 31: FLAMÍNIA, ISABELA e GRACIANO
Flamínia vê os dois de mãos dadas; Isabela diz que Flávio é seu; Graciano que sua filha também enlouqueceu e que o deixem, que ele tem mais o que fazer e sai. Mulheres negociam, cada uma diz que Flávio é seu. Nisto

CENA 32: HORÁCIO, FLÁVIO, FLAMÍNIA e ISABELA
Horácio vê as mulheres que se afrontam; Flávio prende Antiminia pela mão, Horácio Flamínia, as levam embora. Flamínia sai com repugnância.

Se abre o proscênio

CENA 33: ZOROASTRO, CROLO
Zoroastro faz círculos, chama Crolo e lhe dá a ordem que não quer que dê mais assistência a Arlequim porque ele se tornou soberbo e injusto; Crolo faz seus sinais e sai.

Se fecha o proscênio

CENA 34: ARLEQUIM e FLÁVIO
Arlequim que se Flávio não desistir de Isabela fará ele enlouquecer de novo; Flávio que ele não desistirá nunca; Arlequim chama Crolo, ele não aparece, chama de novo, não o encontra. Nisto

CENA 35: ISABELA, ARLEQUIM e FLÁVIO
Isabela vê Flávio e corre para abraçá-lo; Arlequim diz suas bravatas sendo ela uma descarada; Flávio vai bater em Arlequim; Arlequim chama Crolo e Covielo, não aparece ninguém. Nisto

CENA 36: HORÁCIO, ISABELA, ARLEQUIM e FLÁVIO
Horácio vê Arlequim, pergunta quem é ele; Arlequim diz ser o ídolo Mannocco; Horácio demonstra os seus desprezos e nunca ter visto figura mais feia que ele, depois se alegra com Flávio e Isabela. Nisto

CENA 37: FLAMÍNIA, GRACIANO, HORÁCIO, ISABELA, ARLEQUIM e FLÁVIO
Graciano falando sobre o que ocorreu com as duas mulheres, que o tinham tomado por Flávio e sobre as extravagâncias delas, e que não sabia de onde teria tido origem a fantasia delas. Vêem Arlequim, lhe dizem que desgraça é aquela; Arlequim que ele é o ídolo Mannocco, que o tinham adorado até aquele momento, que agora ninguém mais olha pra ele e que ele quer mandar toda a vila se lenhar. Nisto

CENA 38: ZOROASTRO, FLAMÍNIA, HORÁCIO, ISABELA, ARLEQUIM, FLÁVIO E CROLO
Crolo entra anunciando o mago. Zoroastro surge do meio da confusão e manda que todos se calem; Arlequim vai abraçar Zoroastro e Crolo; Zoroastro que se afaste; Arlequim seus temores; Zoroastro que veio para dar tranqüilidade para a vila e todos e revela que todas aquelas desordens, estas gags e transmutações de pessoas, foi ele quem fez por meio daquela pessoa idiota e pelos poderes da sua magia para castigar a todos que profanaram o templo de Diana e que, para aplacar a ira dos deuses, é preciso que um jovem árcade se case com uma mulher de Menfi; Graciano diz que o jovem poderá se casar, mas que nenhuma mulher de Menfi se encontra na Arcádia; Zoroastro que Isabela é de Menfi, filha de Nicandro, sacerdote de Menfi, e que Flávio não é exatamente Flávio, mas Eurillo, filho de Graciano, que foi raptado criança na revolução de Antiniana. Graciano vai reconhecer ele por um signo no braço, o aperta contra o seu peito, e se estabelecem as núpcias, declarando-se que o nome de Isabela é Leucippe. Flamínia reconhece Flávio por irmão e é casada com Horácio, que se descobre irmão de Leucippe, que fugiu nas rebeliões quando Menfi foi atacada e que o seu tio o levou para fora da cidade para deixá-lo em segurança. Arlequim se ajoelha aos pés de Zoroastro que o ajude; Zoroastro que vá à sua gruta subterrânea que encontrará Covielo e aprenderá a arte da magia e sai, terminando o sujeito da Força da Magia.

Cenas a serem ensaiadas
Horácio faz sua cena de amor com Flamínia; Flamínia seus desprezos.
Crolo lhes acena que façam a adoração e ofereçam os seus corações aos deuses.
Flávio começa a sua loucura fazendo cena sobre a sua bela Leucippe (Isabela).
Flávio que Leucippe é a sua alma e faz extravagâncias por ela.
Isabela faz suas súplicas à Covielo.
Flávio faz cena amorosa com Flaminia pensando ser Leucippe.
Isabela com ciúmes.
Lazzi de saudações às mulheres.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A Falsa Defunta

A FALSA DEFUNTA
Adaptação de Marcus Villa Góis da tradução de Roberta Barni do original de Flaminio Scala em Il Teatro delle favole rappresentative... Ed. Iluminuras, São Paulo, 2003. 1ª Ed.: Pulciani, Veneza, 1611. Falas de Pantaleão: Daniela Onnis.

Personagens

Pantaleão, velho – Ator 1
Flamínia, sua filha dada por morta – Ator 2
Arlequim, criado – Ator 3
Graciano, Doutor – Ator 4
Isabela, sua filha – Ator 5
Francisquinha, criada do Doutor – Ator 2
Horácio, filho do Doutor – Ator 6
Colombina, criado do Doutor – Ator 1
Flávio – Ator 7
Ambulante – Ator 5


COISAS: Tabuleiro com poções. Corda comprida. Camisola de Flamínia. Capa de Horácio. Uma vela. Dois candeeiros.

Argumento
                Morava em Bolonha um fidalgo de boa família, ornado em hábitos virtuosos, que tinha uma filha. Desejando uni-la em feliz laço nupcial, deliberou consigo casá-la em outro lugar, com pessoa que, nos negócios do mercadejar, era seu semelhante.
                A jovem ardia de profundo amor por um jovem de sua mesma pátria, chamado Horácio, o qual, além de lhe equivaler em riqueza e nobreza, com insubstituível amor anelava ter a jovem como esposa. Vendo seu desejo ser obstado apenas pela vontade do pai, de combinação com a jovem administra-lhe um sonífero. Com isto a jovem foi dada por morta e sepultada, como na trama do argumento se compreenderá.

Cidade. Noite.

CENA 1: AMBULANTE
Ambulante vendendo poção que tudo cura; mas quando misturada com álcool, faz dormir profundamente.

CENA 2: ARLEQUIM, GRACIANO, PANTALEÃO, FRANCISQUINHA, FLÁVIO, ISABELA e HORÁCIO.
Entra cortejo fúnebre com todos.

CENA 3: HORÁCIO, FLÁVIO.
Flávio descreve sua dor pela amiga Flamínia. Horácio se compadece pelo estado de Flavio. Flávio consternado sai para casa de Pantaleão para comer algo do velório. Horácio descreve seu amor por Flamínia e explica que ela finge estar morta por que seu pai não permitiu o casamento.

CENA 4: PANTALEÃO, GRACIANO, ARLEQUIM, ISABELA, FRANCISQUINHA, HORÁCIO e FLÁVIO.
Graciano apresenta seus sentimentos a Pantaleão. Todos apresentam seus sentimentos em fila e saem pra casa de Graciano. Pantaleão recebe os pêsames de todos e entra em casa. Horácio observa e depois lamenta a dor de Pantaleão. Quando está só lamenta a sua própria dor, e lamenta pela confusão que causou.

CENA 5: COLOMBINA e HORÁCIO.
Colombina diz que está tudo pronto e pergunta o que fazer com Flamínia. Horácio dá uma capa a Colombina para cobrir Flamínia e diz que a leve para sua casa, pois ela está de camisola. Colombina mostra os utensílios para puxar Flamínia e sai.

CENA 6: ISABELA, FRANCISQUINHA, FLÁVIO e HORÁCIO
Isabela sai da casa de Pantaleão acompanhada por Francisquinha. Francisquinha manda Isabela levar a vela, pois é noite e não tem candeeiro. Horácio chama Flávio e pede a ele que leve Isabela até a casa dela. Flávio reclama que não tem nada pra comer. Francisquinha volta pra casa. Horácio sai pela rua. Flávio leva Isabela. Isabela chora. Flávio consola-a e diz que também está triste por Flamínia; Isabela revela seu amor por Flávio e chora mais. Flávio diz que também a ama e marca um encontro, no mesmo local, para mais tarde. Isabela aceita e bate na porta.

CENA 7: GRACIANO, FLÁVIO e ISABELA.
Graciano aparece e agradece a Flávio. Flávio retribui agradecimento e sai. Graciano pergunta a Isabela quem teria dado a ela aquela vela. Isabela responde: “Francisquinha”. Graciano lamenta a dor e a avareza de Pantaleão e entra com a filha.

CENA 8: FLAMÍNIA e PANTALEÃO.
Flamínia aparece de camisola, sem a capa, fugindo, pedindo socorro ao pai. Pantaleão, com candeeiro, fala: “É a voz da filha adorada/ Que ouço me chamar?/ Só pode ser alma penada!/ Vou já pra casa rezar!”. Flamínia desesperada sai correndo.

CENA 9: ARLEQUIM.
Arlequim, com medo, explica que encontrou a sepultura aberta, utensílios e uma  capa, fala de como o patrão é sovina e mandou enterrar a filha sem roupa adequada e de noite, se alegra pela capa e veste, deixando sua camisa no chão.

CENA 10: COLOMBINA e HORÁCIO.
Colombina explica o que aconteceu no cemitério (enquanto ela puxava Flamínia, a Polícia chegou). Horácio ouve, pergunta da capa. Colombina responde que deve estar com ela. Horácio manda Colombina procurar Flamínia. Colombina sai par procurar perto do cemitério. Horácio procura por ali.

CENA 11: ARLEQUIM e HORÁCIO.
Arlequim aparece com a capa. Horácio vê e reconhece sua capa e conclui que por baixo só pode estar Flamínia, seu amor. Arlequim pergunta quem está ai?  Horácio responde: “Eu meu amor!”. Arlequim se sente amado, quer aproveitar a oportunidade e agarra-o. Horácio estranha e pergunta da capa. Arlequim responde que encontrou a capa ao lado do túmulo. Horácio foge com medo do maluco.

CENA 12: ISABELA e ARLEQUIM.
Isabela entra aflita procurando Flávio e diz que ele já está atrasado. Vê Arlequim com a capa do seu irmão, e acreditando ser Horácio o chama. Arlequim: sem entender, sai.

CENA 13: FLÁVIO e ISABELA.
Flávio chega com um candeeiro  . Isabela fala de amor a ele. Cena de amor. Flávio diz que a protegerá e a leva para casa. Ela entra em casa com Flávio.  Ele se alegra.

CENA 14: FLAMÍNIA.
Flamínia, ainda de camisola, seduzindo o público, fala do medo de estar sozinha à noite; vê um candeeiro chegando e, com medo, veste a roupa de Arlequim deixando a sua no chão. Sai.

CENA 15: COLOMBINA.
Colombina, com um candeeiro, diz que não encontrou Flamínia e veste as roupas dela que achou e sai.

CENA 16: FLAMÍNIA e ISABELA.
Flamínia volta pra apanhar sua roupa que aquela é de um criado, e está suja e fedorenta. Não acha sua roupa. Desesperada diz que se fingiu de morta pela proibição de Pantaleão e pelo amor de Horácio, mas que agora não sabe o que fazer, e que então baterá na casa de Graciano e procurará por Isabela para lhe emprestar uma roupa. Grita: “Isabela!”. Isabela, de dentro responde: “Quem me chama?”. “Sou eu Flamínia”. Isabela, gritando, “O fantasma de Flamínia está aqui!”. Foge para dentro de casa.

CENA 17: FLAMÍNIA e ARLEQUIM.
Flamínia, desesperada, porque o dia já vai nascer. Arlequim entra de costas com a capa de Horácio. Flamínia lhe diz palavras amorosas, pensando tratar-se do Horácio. Arlequim, reconhecendo suas roupas e o fantasma, bate na casa de Pantaleão. Flamínia, assustada por não ser o seu amor, foge.

CENA 18: PANTALEÃO e ARLEQUIM.
Pantaleão, de camisolão, vêm para fora. Arlequim diz que o fantasma de Flamínia continua vagando pela cidade. Pantaleão ri dele e diz: “Arlequim, servo maldito/Dessas histórias não quero saber/Em fantasmas, não acredito/Vais apanhar para aprender!”. Sai de cena batendo em Arlequim.

CENA 19: FLAMÍNIA, COLOMBINA, ARLEQUIM, PANTALEÃO, GRACIANO, ISABELA, HORÁCIO. FLÁVIO.
Flamínia lamenta a confusão por sua causa. Colombina, chega, olham-se e reconhecem-se. Flamínia diz que precisa entrar na casa de Graciano, pra pegar uma roupa com Isabela e se encontrar com Horácio. Colombina abre a porta da casa de Graciano com ferramentas e entra. Flamínia, feliz, entra na casa de Graciano.

CENA 20: ARLEQUIM, GRACIANO, ISABELA, FLÁVIO e PANTALEÃO.
Todos: pelo outro lado, saem da casa de Graciano, um a um, com medo, fugindo do fantasma e tremendo. Pantaleão, ouvindo a confusão, vai para fora, e pergunta o que está acontecendo. Todos respondem com medo do fantasma.

CENA 21:HORÁCIO, FLAMÍNIA, ARLEQUIM, GRACIANO, ISABELA, FLÁVIO e PANTALEÃO.
Horácio sai da casa junto com Flamínia e explica a situação e pede a mão ao pai dela. Pantaleão consente no casamento.

CENA 22:HORÁCIO, FLAMÍNIA, ARLEQUIM, GRACIANO, ISABELA, FLÁVIO e PANTALEÃO.
Saem todos em marcha nupcial.

Cenas a serem ensaiadas:
Vendedor de ervas milagrosas. Cortejo fúnebre. Descrevendo dor. Descrevendo seu amor. Casamento.