quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A Comédia na Comédia


A COMÉDIA NA COMÉDIA
Tradução, adaptação e argumento: Marcus Villa Góis. Manuscrito original de Basilio Locatelli, conservado na Biblioteca Casanatense Roma, Manoscritti 1211 e 1212. Publicado por: TESTAVERDE, Anna Maria. I Canovacci della Comedia dellArte. Torino: Giulio Einaudi, 2007.
Personagens
Pantaleão, ator 1.
Isabela, filha, ator 5.
Arlequim, servo, ator 3.
Covielo, ator 6.
Flamínia, filha, ator 2.
Flávio, depois Curzio, filho de Covielo, ator 7.
Tófano, médico, ator 2.
Graziano, ator, ator 4.
Horácio, ator, depois Cataldo, filho de Pantaleão, ator 6.

Coisas: 5 cadeiras, um florete. Barba falsa para Flávio.

Argumento:
                Vivia em uma pequena cidade do interior chamada Sermoneta dois distintos e velhos amigos: Pantaleão e Covielo; todos os dois viúvos. Pantaleão tinha por filhos Isabela e Cataldo, este desaparecido há muitos anos, e Covielo tinha por filhos Curzio e Flamínia. Para satisfazer o desejo do amigo Pantaleão cede a filha à Covielo. Para comemorar as núpcias contratam um grupo de atores para representarem uma comédia, a partir deste momento muitas verdades começam a ser reveladas, muitas máscaras começam a cair.

Sermoneta

CENA 1: PANTALEÃO e ARLEQUIM
Pantaleão, vindo de casa com Arlequim, diz querer casar sua filhinha, Isabela, por já estar na idade e porque Covielo a pediu em casamento; bate na porta da casa de Covielo.

CENA 2: COVIELO, PANTALEÃO e ARLEQUIM
Covielo, vindo de casa, ouve como Pantaleão está contente de lhe dar Isabela como esposa, fazem lazzi, entram em acordo pelo dote. Pantaleão manda Arlequim chamar Isabela. Arlequim grita. Nisto

CENA 3: ISABELA, COVIELO, PANTALEÃO e ARLEQUIM
Isabela vem de casa,  compreende, por seu pai, a promessa de se casar com Covielo, ela recusa, fazem lazzi, ao fim, por força de bravatas e ameaças, toca mão a mão com Covielo, Isabela, descontente, entra em casa; Covielo diz que vai ao cartório para fazer as certidões e que esperará Pantaleão, parte pela rua. Pantaleão diz a Arlequim que vá convidar os parentes e que chame os comediantes para alegrar a festa, Arlequim, que fará tudo, parte pela rua. Pantaleão que vai encontrar Covielo, parte pela rua.

CENA 4: FLÁVIO
Flávio vem da rua dizendo ter abandonado os estudos em Pádua pelo amor que tem por Isabela e estar disfarçado por medo de seu pai Covielo, bate na porta de Isabela; nisto

CENA 5: ISABELA e FLÁVIO
Isabela vem de casa, reconhece Curzio, que afirma estar incógnito com barba postiça, tendo mudado o nome para Flávio pelo amor dela e de ter deixado os estudos de Pádua. Isabela se desespera pois Pantaleão, seu pai, a casará com Covielo; Flávio, sofrendo, diz que permaneça com o ânimo bom, que ele vai tentar estragar tudo, parte pela rua, Isabela entra em casa.

CENA 6: PANTALEÃO
Pantaleão vem da rua, diz ter feito as certidões com Covielo e querer arrumar as núpcias. Nisto

CENA 7: ARLEQUIM, GRACIANO e PANTALEÃO
Arlequim entra da rua; diz a Pantaleão ter convidado os parentes e ter trazido o chefe dos comediantes. Mostra-lhe Graciano, Pantaleão lhe pergunta qual é o seu papel, Graciano diz fazer o apaixonado, Pantaleão ri, dizendo: “Olha a cara-de-pau para fazer o apaixonado”, ao fim combinam pela comédia dez escudos, lhe dá o calção, Graciano diz querer chamar os companheiros, sai pela rua. Pantaleão manda Arlequim trazer as cadeiras, diz não ver a hora que comece, todos entram em casa.

CENA 8: COVIELO
Covielo entra da rua, alegre pelas núpcias e festas que quer dar. Diz querer divertir Flamínia, sua filhinha, na festa, bate em casa. Nisto

CENA 9: FLAMÍNIA e COVIELO
Flamínia da janela de casa ouve que Covielo se casará. Ele diz querer casar ela em breve e que venha à festa e à comédia que se fará, ela desce. Covielo bate na casa de Pantaleão. Nisto

CENA 10: PANTALEÃO, ISABELA, ARLEQUIM, FLAMÍNIA e COVIELO
Pantaleão vem de casa junto com Isabela e Arlequim. Pantaleão abraça Covielo seu genro, fazendo gaiatices com Isabela de má-vontade. Arlequim manda que todos se sentem e que os comediantes se aprontem. Nisto

CENA 11: FLÁVIO, PANTALEÃO, ISABELA, ARLEQUIM, FLAMÍNIA e COVIELO
Flávio vem da rua; Arlequim apresenta o forasteiro a todos. Flávio se coloca à parte para ouvir a comédia. Arlequim dá ordens que se deve começar. Nisto

CENA 12: GRACIANO, FLÁVIO, PANTALEÃO, ISABELA, ARLEQUIM, FLAMÍNIA e COVIELO
Graciano, primeiro toca e faz música. Covielo sai da platéia com incontinência urinária. Graciano anuncia o silêncio, que se fará uma comédia ao improviso, entra. Nisto

CENA 13: HORÁCIO, FLÁVIO, PANTALEÃO, ISABELA, ARLEQUIM e FLAMÍNIA
Horácio vem da rua, narra o amor que tem por Vitoria, filha de Graciano, diz querer pedi-la ao pai como esposa; bate

CENA 14: GRACIANO, HORÁCIO, FLÁVIO, PANTALEÃO, ISABELA, ARLEQUIM e FLAMÍNIA
Graciano vem de casa e ouve tudo de Horácio, fazem o acordo de casamento; Horácio sai, Graciano reclama que podia arrumar alguém mais rico. Nisto, cai no chão uma luva de Isabela.

CENA 15: COVIELO, GRACIANO, FLÁVIO, PANTALEÃO, ISABELA, ARLEQUIM e FLAMÍNIA
Covielo retorna arrumando as calças e vê Flávio correndo para recuperar a luva, beijando a luva e oferecendo-a de volta a Isabela; Covielo gritando empurra a mão de Flávio, intercede dizendo que o forasteiro se afaste. Fazendo rumor, todos murmurando fogem, primeiro Arlequim para esquerda, depois Graciano para a direita, Pantaleão conduz Isabela e Flamínia para casa. Flávio foge e Covielo o segue com a espada em riste.

CENA 16: PANTALEÃO e ARLEQUIM
Pantaleão sai de casa e manda Arlequim levar embora as cadeiras. Enquanto Arlequim arruma Pantaleão lamenta do inconveniente ocorrido, diz que Isabela está mal pelo susto que tomou e manda Arlequim chamar um médico. Arlequim sai levando as cadeiras. Nisto

CENA 17: PANTALEÃO e COVIELO
Covielo vem pela rua, armado, diz querer vingar-se de Flávio que ele não devia fazer aquilo que fez e querer matá-lo. Pantaleão repreende Covielo dizendo não ter sido grande coisa e por isso não devia sentir-se ultrajado. Pantaleão avisa que Isabela está doente, Covielo desesperado quer ir chamar o médico, os dois partem pela rua.

CENA 18: FLÁVIO e ARLEQUIM
Flavio e Arlequim vêm pela rua, Arlequim conta que Isabela está doente por causa do susto que levou, Flávio lhe promete uma gorjeta se o ajudar e manda chamar Isabela. Arlequim entra na casa de Pantaleão. Nisto

CENA 19: ISABELA e FLÁVIO
Isabela da janela de casa fala do susto que passou, depois falam amorosamente, trocando juras, combinam um encontro para fugir juntos às duas horas da manhã; Isabela entra em casa, Flávio sai para encontrar destino para a fuga; parte pela rua.

CENA 20: HORÁCIO
Horácio vem pela rua, fala português, se queixa de quando atuava na comédia, devia ter falado espanhol, e diz que, quando ele atuou na comédia na casa de Pantaleão, viu uma belíssima jovem que lhe olhava muito e ter-se enamorado dela, diz não saber quem ela seja, vai procurando-a. Nisto

CENA 21:  FLAMÍNIA e HORÁCIO
Flamínia surge na janela, vê Horácio, se cumprimentam juntos, é convidada a descer, ela vêm para baixo. Horácio declara o seu amor, ela aceita-o, e diz que porque o pai não a quer casar, ela quer por conta própria, diz querer satisfazê-lo, mas na casa de uma vizinha. Combinam encontrar-se às duas horas da manhã; Flamínia entra em casa, Horácio alegre, parte pela rua.

CENA 22: TÓFANO
Tófano vem pela rua, diz ser o médico mandado por Pantaleão para visitar Isabela, sua filhinha noiva, estando adoentada, bate na casa de Pantaleão. Nisto

CENA 23: ARLEQUIM e TÓFANO
Arlequim na janela entende ser o médico que veio ver a noiva, o faz entrar e todos entram em casa.

CENA 24: PANTALEÃO e COVIELO
Pantaleão vem pela rua e diz ter mandado o médico para ver a esposa, dizem querer saber como esteja, batem na casa de Pantaleão. Nisto

CENA 25: TÓFANO, PANTALEÃO e COVIELO
Tófano vem de casa, diz que a doente se curou, não ser nada e que está bem, todos se alegram;  Covielo diz querer guardar a arma, entra em casa, eles ficam. Nisto

CENA 26: GRACIANO, TÓFANO e PANTALEÃO
Graciano vem pela rua, vê Pantaleão, lhe chama à parte e pede o dinheiro da comédia. Pantaleão diz que não terminaram de fazer, Graciano que não importa, que não foi por culpa deles; ao fim, Pantaleão diz que fará pagar agora do seu irmão, por ele não ter dinheiro consigo, lhe mostra Tófano, Graciano diz que sim e diz estar contente; Pantaleão diz a Tófano, à parte, que aquele homem está mau e que insistiu para que fizesse a gentileza de sentir o seu pulso, faz um sinal a Graciano, Tófano diz que sim. Pantaleão diz que este será o pagamento que ele merece, sai pela rua. Tófano diz que se aproxime, que quer sentir seu pulso, Graciano não quer, ao fim deixa fazer aquilo que ele quer, Graciano lhe ordena que lhe dê oito escudos que ele ficou de dar, Tófano diz que a febre o fez delirar, que ela deve ser maligna, que é necessário ainda tirar o sangue, fazendo lazzi, ao fim apertam as mãos e partem pela rua.

CENA 27: HORÁCIO
Horácio vem pela rua, finge noite, diz não saber qual seja a casa de Flamínia, diz ser a hora de encontrar-se, conforme marcaram. Nisto

CENA 28: ISABELA e HORÁCIO
Isabela sai de casa, fingindo noite escura, faz sinal, acreditando que Horácio seja Flávio, e Horácio acreditando que Isabela seja Flamínia, tratam-se de “meu amor”, “minha paz”, “meu tesouro”, se abraçam e partem pela estrada.

CENA 29: FLÁVIO
Flávio vem pela rua, fingindo noite, diz querer levar embora Isabela e mantê-la na casa de um amigo. Nisto

CENA 30: FLAMÍNIA e FLÁVIO
Flamínia sai de casa, fazem sinal, tratam-se de “meu amor”, “minha paz”, “meu tesouro”, ela acredita ser Horácio e ele acredita ser Isabela, sem falar se abraçam, fingindo noite, saem pela rua.

CENA 31: HORÁCIO e ISABELA
Horácio e Isabela vêm pela rua, tendo descoberto não serem amantes, Isabela implora a salvar a sua honra e o amor de Flávio e que, por gentileza, a leve na casa de uma amiga sua por respeito ao seu pai e tente encontrar Flávio; Horácio se lamenta e depois, ao fim, suplicado, se contenta, partem pela rua.

CENA 32: FLÁVIO e FLAMÍNIA
Flávio e Flamínia vêm pela rua, eles descobriram não serem amantes, Flamínia se lastima pensando que fosse o Horácio, Flávio lamenta por Isabela, duvida que não esteja em casa. Nisto

CENA 33: HORÁCIO, FLÁVIO e FLAMÍNIA
Horácio vem pela rua lamentando-se da má sorte de não ter visto Flamínia, a vê, entende tudo o que ocorreu, ao fim descobrem, ele e Flávio, um ter a namorada do outro, gabam-se de nenhum ter prejudicado o amigo em sua honra, dizem querer ir se divertir, partem pela rua.

CENA 34: COVIELO
Covielo sai de casa, fingindo manhã cedo, dizendo não ter dormido toda a noite pensando em Isabela que quer logo tomar por esposa já que não possui qualquer mal. Bate na casa de Pantaleão. Nisto

CENA 35: ARLEQUIM e COVIELO
Arlequim surge na janela, fingindo dormir faz lazzi. Covielo chama por Pantaleão, Arlequim diz que dorme, mas ao fim entra e chama. Nisto

CENA 36: PANTALEÃO e COVIELO
Pantaleão da janela, fingindo levantar-se agora da cama, Covielo diz querer a mulher, que a quer levar sem fazer núpcias nem festas; Pantaleão sai e diz que está muito cansado, que toda aquela noite ouviu passos pela casa, ao fim rogado, chama Isabela. Nisto

CENA 37: ARLEQUIM, PANTALEÃO e COVIELO
Arlequim da janela de casa ouve que chamam Isabela, que chegou o esposo e que a acorde. Arlequim entra e sai várias vezes, fazendo lazzi que dorme, às vezes na janela, às vezes na rua; ao fim diz que Isabela não está em casa, Pantaleão e Covielo se desesperam, entram e saem da casa, um por vez, e não a encontram, duvidam que tenha sido seqüestrada, dizem querer armar-se e procurá-la; Pantaleão e Arlequim entram em sua casa, Covielo na dele.

CENA 38: FLÁVIO e HORÁCIO
Flávio e Horácio dizem ter deixado as amorosas na casa de uma vizinha e querer pedi-las aos seus pais como esposas. E se eles não quiserem dar, querer levá-las de qualquer modo pelo mundo, se escondem vendo vir o pai de Flamínia. Nisto

CENA 39: COVIELO
Covielo vindo de casa, estando desesperado, pois não encontrou Flamínia, sua filhinha, em casa. Bate na casa de Pantaleão. Nisto

CENA 40: PANTALEÃO, ARLEQUIM e COVIELO
Pantaleão e Arlequim saem de casa, armados. Covielo narra que Flamínia também fugiu de casa, resolvem matar quem tenha colocado a mão nelas.

CENA 41: FLÁVIO (CURZIO), PANTALEÃO, ARLEQUIM e COVIELO (HORÁCIO)
Flávio sai do esconderijo com a mão na barba e se aproxima de Covielo. Covielo pergunta onde está Isabela. Flávio diz ter algo importante para revelar. Covielo retira a capa e a máscara e entrega a Flávio para segurar. Horácio surge, implora Flamínia por esposa e veste novamente a máscara. Covielo diz que não por ele ser ator, retira novamente a máscara. Horácio diz que não se ofenda pois ele é um nobre cavalheiro, que Graciano pode testemunhar pois o criou desde pequeno com Francisquinha sua mãe de leite, mas que seu pai verdadeiro se chamava Pantaleão dos Humildes; Pantaleão ouve isso, reconhece Horácio como Cataldo, seu filhinho. Pantaleão narra que o tutor Graciano levou embora Francisquinha e que Francisquinha levou consigo Cataldo por tê-lo amamentado; fazendo alegrias o abraça. Horácio veste a máscara e a capa. Covielo surge contente por ter entendido que Horácio seja filho de Pantaleão e lhe concede por esposa Flamínia; Flávio se ajoelha defronte a Covielo, seu pai, e, tirando do rosto a barba postiça, revela-se Curzio e diz estar disfarçado por ter vindo dos estudos de Pádua pelo amor de Isabela; Covielo o perdoa e Pantaleão lhe concede Isabela sua filha por mulher; fazendo alegrias, sai Flávio (Curzio) e Covielo para chamar as mulheres. Nisto

CENA 42: GRACIANO, PANTALEÃO e ARLEQUIM
Graciano vem pela rua, pede a Pantaleão que o pague pela comédia feita, Pantaleão o pega e lhe revela tudo, de ter levado embora Francisquinha e Cataldo, seu filhinho. Graciano lhe pede perdão e diz que para trabalhar faziam comédias e para não ser reconhecido ele tinha cortado a barba. Pantaleão lhe perdoa. Nisto

CENA 43: HORÁCIO, ISABELA, FLAMÍNIA, FLÁVIO, GRACIANO, PANTALEÃO e ARLEQUIM
Isabela e Flávio de mãos dadas, e Horácio e Flamínia abraçados, desfilam com Pantaleão, Arlequim e Graciano tocando instrumentos pelas ruas, comemorando os casamentos.  Fazendo alegrias entram para fazer as núpcias, todos em casa.

Fim da comédia.

Cenas a serem ensaiadas
·         Covielo e Pantaleão fazem lazzi, entram em acordo pelo dote.
·         Isabela recusa casar com Covielo, fazem lazzi, ao fim, por força de bravatas e ameaças, toca mão a mão com Covielo.
·         Pantaleão abraça Covielo seu genro, fazendo gaiatices com Isabela de má-vontade.
·         Graciano, primeiro toca e faz música.
·         Horácio narra o amor que tem por Vitoria.
·         Graciano vem de casa e ouve tudo de Horácio, fazem o acordo de casamento.
·         Isabela fala do susto que passou, depois ela e Flavio falam amorosamente.
·         Horácio declara o seu amor a Flamínia
·         Cena 26: Graciano chama à parte Pantaleão... Graciano cobra dinheiro de Tófano... fazendo lazzi, ao fim apertam as mãos.
·         Horácio finge noite.
·         Isabela finge noite escura. Ela trata Horácio de “meu amor”, “minha paz”, “meu tesouro.
·         Flávio finge noite.
·         Flamínia trata Horácio de “meu amor”, “minha paz”, “meu tesouro” e finge noite.
·         Covielo sai de casa, fingindo manhã cedo.
·         Arlequim surge na janela, fingindo dormir faz lazzi.
·         Cena 41.
·         Pantaleão revela tudo a Graciano, de ter levado embora Francisquinha e Cataldo, seu filhinho.
·         Isabela e Flávio de mãos dadas, e Horácio e Flamínia abraçados, desfilam com Pantaleão, Arlequim e Graciano tocando instrumentos pelas ruas, comemorando os casamentos. 

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A ARCÁDIA ENCANTADA

A ARCÁDIA ENCANTADA
Tradução, adaptação e argumento: Marcus Villa Góis. Manuscrito original conservado na Biblioteca Comunale Augusta Perugia, Manoscritti A.20. Zibaldone di concetti comici raccolti dal P.D. Placido Adriani di Lucca MDCCXXXIIII. Publicado por: TESTAVERDE, Anna Maria. I Canovacci della Comedia dellArte. Torino: Giulio Einaudi, 2007.
Personagens


Mago, ator 2 e 7.
Graciano, ator 4.
Covielo, ator 6 .
Arlequim, ator 3.
Flávio, ator 7.
Horácio, ator 6.
Isabela, ator 5.
Flamínia, ator 2.
Colombina,  ator 1.
Espíritos, ator 1 e 5.
Árvore, ator 1.
Oxossi, ator 4.
Oxum, ator 3.
Exu, ator 1.
Rei, ator 3.





Coisas: Livro de Magia. Árvore de frutos com água fumaça e traques. 3 pratos de barro. Coroa de Flores. Prato de Macarrão. Duas cordinhas. Duas cadeiras com braços. Cetro e coroa de Rei.




Argumento

                Em um tempo muito remoto, muito antes da escrita ser inventada, existia na Grécia meridional uma região que se chamava Arcádia, onde todos os habitantes viviam em paz e esplendor. O amor estava difuso entre todos os habitantes e todos se respeitavam mutuamente. A magia era transmitida de pai a filho. A natureza era respeitada, os animais sacrificados com honrarias e as plantas cultuadas. Até que um dia um ganancioso mercador conhecido por Pantaleão, para resolver seus problemas no comércio, luta e acaba por matar Zaratustra o mago da região setentrional grega. Acontece que este assassinato não poderia ficar impune, muito se tentou fazer legalmente para dar ao assassino as devidas penas, no entanto o rico mercador foi defendido por excelentes advogados, entre eles um certo Graciano. O irmão do poderoso mago morto, conhecido por Zoroastro, resolveu usar a magia para fazer justiça e desencarnou a alma do rico mercador, mas não parou por ai a sua vingança, como veremos adiante.



Bosque.



Cena 1: MAGO ator 2

O Mago faz a sua cena, depois encanta a selva, chama os espíritos e ordena que eles cuidem da selva. Todos saem.



Cena 2: GRACIANO

Doutor Graciano canta ter naufragado na tempestade, ter se batido num banco de areia, ter conseguido escapar e por sorte encontrar este lindo bosque.



Cena 3: COVIELO e GRACIANO

Covielo faz a mesma cena, depois crê ver a alma de Graciano, demonstra medo. Nisto.



Cena 4: ARLEQUIM, COVIELO e GRACIANO

Arlequim faz a mesma cena, depois demonstra o seu medo acreditando que são todos espíritos. Se reconhecem, cada um conta como se salvou, depois saem todos para buscar o que comer. Saem todos.



Cena 5: FLÁVIO

Flávio faz cena sobre o amor de Isabela e sua crueldade.



Cena 6: ISABELA e FLÁVIO

Flávio implora o amor de Isabela, ela o expulsa; Flávio desesperado sai. Isabela faz cena sobre o amor de Horácio e sua crueldade. Nisto.



Cena 7: HORÁCIO E ISABELA

Horácio faz cena sobre o amor a Flamínia, Isabela o vê, faz cena amorosa; ele recusa, mulher sai desesperada.



Cena 8: FLAMÍNIA e HORÁCIO

Flamínia sobre o amor de Flávio e sua crueldade. Horácio a vê e implora por ela; ela o expulsa. Saem todos.



Cena 9: ARLEQUIM

Se lamenta porque não encontra o que comer, visualiza um penhasco e faz cena do Eco (uma pergunta e a resposta do eco: - Tem alguém ai, olá? –olá, olá, lá – Lá aonde que não vejo? Você teria algo pra me dar se for ai andando? – Dando, ando, ando. Ele já está dando, mas ei! quem falou comigo? – Migo, igo, igo. – Migo deve ser o apelido de Miguel. Miguel tem alguma coisa de comer? Sim ou não? – Não, não, não. Voce não teria pão ou queijo? – Eijo, Eijo. Beijo? Hum isso aqui tá ficando interessante, mas eu posso ir aí, me diga sem pleonasmo. – Asno. Espere aí, sem ofensas, ... ). Nisto.



Cena 10: COLOMBINA e ARLEQUIM

Colombina vê Arlequim, vê nele uma fera, se orgulha, faz lazzi, se apaixonam. Colombina o convida para o celeiro, aponta onde fica e sai. Arlequim fica, faz sua cena de caçador.

                                                                                                                       

Cena 11: COVIELO e ARLEQUIM

Covielo se lamenta por não encontrar ninguém. Nisto.



Cena 12: GRACIANO, COVIELO, ARLEQUIM depois ÁRVORE

Graciano vê os servos, pergunta se encontraram alguma caça para comer, servos dizem que não. Depois uma árvore frutífera entra. Eles avistam-na e vão colher o fruto, a árvore se retira; se fará isto por três vezes, até que Graciano resolve dar pauladas na árvore. Da árvore cai água, depois faz fumaça, depois disparam traques e bombas; eles ficam com medo. Cantam: Caçada de Chico Buarque. Nisto.



Cena 13: COLOMBINA, FLAMÍNIA, ISABELA, GRACIANO, COVIELO E ARLEQUIM

Colombina sai de  dentro da árvore. Entram mulheres  que acariciam os homens, depois se sentam todos no chão e fazem cena de o que é, o que é, de sacanagem. Os homens se adormentam no peito das mulheres. Nisto.



Cena 14: MAGO ator 7, COLOMBINA, FLAMÍNIA, ISABELA, GRACIANO, COVIELO, ARLEQUIM e 3 ESPÍRITOS

O mago insulta e grita com as mulheres; elas se levantam e saem. Mago chama os espíritos, eles aproximam o rosto ao rosto dos homens que acordam. Os espíritos batem neles, saem espíritos e homens, termina a cena.



Cena 15: MAGO ator 7

Mago faz o encanto da coroa de flores, dizendo que quem a colocar na cabeça será o objeto de desejo de todos que o virem, a coloca em um tronco de árvore para que todos a amem, sai.



Cena 16: ARLEQUIM

Arlequim entra lamentando-se por ter girado por todo o bosque e não ter encontrado o que comer, vê a coroa de flores, pega a coroa, e a coloca na cabeça. Nisto.



Cena 17: FLÁVIO e ARLEQUIM

Flávio vê Arlequim, pensa que seja Isabela e como Isabela a corteja e implora seu amor; Arlequim se admira, bate nele e afugenta-o dizendo que ele quer fazer porcaria. Flávio dolorido, sai. Arlequim que pensa em outras coisas que não é amor. Nisto.



Cena 18: ISABELA e ARLEQUIM

Isabela pensa que ele é Horácio, o corteja, ele a repudia, ela indignada sai. Arlequim se admira.



Cena 19: HORÁCIO e ARLEQUIM

Horácio pensa que ele é Flamínia, sua cena como em cima e depois Horácio sai.



Cena 20: FLAMÍNIA e ARLEQUIM

Flamínia faz a mesma cena de cima, depois sai.



Cena 21: COVIELO e ARLEQUIM

Covielo faz a mesma cena. Arlequim diz que Covielo é louco.



Cena 22: GRACIANO, COVIELO e ARLEQUIM

A mesma cena que fizeram os outros. Nisto.



Cena 23: MAGO ator 2, GRACIANO, COVIELO e ARLEQUIM

O Mago entra, percebe a confusão, tira a coroa da cabeça de Arlequim e a põe na cabeça de Covielo, depois de Graciano, mudando e re-mudando, assim todos vêem o coroado como seu amante. Até que o Mago leve embora a coroa. Covielo e Graciano pensam que as mulheres fugiram e vão atrás. Arlequim fica atônito com o que ocorreu. Nisto.



Cena 24: COLOMBINA e ARLEQUIM

Colombina faz cena de amor com Arlequim; ele procura o que comer, ela diz que vai pegar e sai. Arlequim, alegre, fica. Nisto.



Cena 25: COVIELO e ARLEQUIM

Covielo entra perguntando a Arlequim onde está sua mulher. Arlequim diz a Covielo que uma ninfa trará o que comer, eles ficam alegres. Nisto.



Cena 26: COLOMBINA, COVIELO e ARLEQUIM depois ESPÍRITOS.

Colombina entra com prato de macarrão, vê Covielo diz querer pregar uma peça, apóia o prato e diz que eles devem comer como é o costume do país. Eles alegres. Ela amarra forte as suas mãos depois vai embora. Eles fazem lazzi para comer e soltar-se. Nisto surgem dois espíritos que dão pauladas neles, eles ficam com medo. Espíritos saem. Nisto.



Cena 27: GRACIANO, COVIELO e ARLEQUIM

Graciano percebe a confusão. Idiotas contam o que aconteceu; Graciano solta eles. Covielo diz ter compreendido que os Pastores e as Ninfas querem encontrar os seus deuses Exu, Oxossi e Oxum e levar presentes comestíveis. Assim, Covielo se fingirá de Exu, Graciano de Oxossi, Arlequim de Oxum e vão se arrumar.



Cena 28:, ISABELA, FLÁVIO, FLAMÍNIA e HORÁCIO

Cena esquematizada de amor e desprezo, ao fim querem consultar os deuses. Todos saem. Nisto.



Cena 29: EXU, OXOSSI e OXUM

Surgirá do fundo uma cadeira onde sentará Oxum e Exu nos braços e Oxossi no meio. Covielo (ator 1) de Exu, Graciano de Oxossi, Arlequim de Oxum a cena deles.



Cena 30: FLÁVIO, ISABELA, FLAMÍNIA e HORÁCIO. EXU, OXOSSI e OXUM

Entram com as oferendas e as colocam aos seus pés. Enquanto fazem suas orações, Exu e Oxum pegam seus pratos e fogem. Flamínia vai atrás de Exu e Isabela de Oxum. Graciano fica preso estatelado.



Cena 31: GRACIANO, FLÁVIO e HORÁCIO

Os jovens descobrem que Oxossi é Graciano e dão pauladas nele. Saem todos na pancadaria.



Cena 32: MAGO

O Mago diz que, na verdade, mantém sob controle a vontade dos Pastores e das Ninfas. Que esta é a sua vingança contra Graciano e seu antigo amigo Pantaleão, sendo Flávio e Flamínia filhos de Pantaleão e Isabela e Horácio filhos de Graciano, tendo-os roubado desde bebes e mantendo-os nesta Arcádia; sai e ao sair deixa cair o livro no chão.



Cena 33: ARLEQUIM depois ESPÍRITOS ator 1 e 5

Diz ter saciado sua fome e que agora não deseja mais nada; se dá conta do livro e o abre, ao abrir sai o espírito. Faz a cena de abrir e fechar; depois o espírito diz: “ordene meu mestre”. Arlequim diz não saber o que pedir. O espírito esclarece que pode ser o que ele quiser. Arlequim diz querer ser o rei da Arcádia e que o vista de Rei; saem dois espíritos e o vestem de rei; nisto o Rei senta-se no seu trono. Os espíritos saem.



Cena 34: FLÁVIO e ARLEQUIM depois ESPÍRITO ator 1

Flavio entra estranhando a situação. Arlequim diz: “sentado pois Espíritos o vêem!”, Flávio pergunta o que faz com tal pose, Arlequim que é rei; Flávio ri, Arlequim chama abrindo livro, surge o Espírito, ordena que bata em Flávio, o Espírito bate, Flávio se ajoelha, lhe pede perdão, Arlequim o faz de seu mordomo. Nisto.



Cena 35: HORÁCIO, FLÁVIO, ARLEQUIM depois ESPÍRITO ator 1

Horácio faz a mesma cena de Flávio, depois



Cena 36: ISABELA, HORÁCIO, FLÁVIO, ARLEQUIM depois ESPÍRITO ator 1

Isabela faz a mesma cena; Arlequim chama abrindo o livro, surge o Espírito se engraça com a mulher, Arlequim diz que será o espírito da imoralidade. Nisto.



Cena 37: FLAMÍNIA, ISABELA, HORÁCIO, FLÁVIO, ARLEQUIM depois ESPÍRITO ator 1

Flamínia faz as mesmas ações, Arlequim abre o livro e o Espírito entra; Flamínia faz a cena como Isabela e acontece o que aconteceu a ela. Arlequim diz que será o Espírito da Luxuria. Depois Flávio e Horácio, cada um procura a sua Ninfa: Flávio toma Isabela, Horácio dá a mão a Flamínia, elas aceitam; Arlequim chama com o livro, entra o Espírito, pastores e ninfas, com medo, saem de cena. O espírito sai amedrontando atrás.



Cena 38: COLOMBINA, ARLEQUIM, ESPÍRITO ator 5, depois o MAGO ator 2

Colombina entra, Arlequim a chama, fazem a cena de lazzi amorosos. O Mago surge e observa a cena. Colombina chama o Espírito com o livro e pede uma cadeira. O espírito traz a cadeira e sai. Colombina se senta, Arlequim lhe dá o cetro transformando-a em rainha.



Cena 39: GRACIANO, ARLEQUIM, COLOMBINA e MAGO

Graciano entra, vê Arlequim, ri dele, Arlequim abre o livro e não surge o Espírito, várias vezes desesperado, grita o espírito. O Mago observa à parte.



Cena 40: FLÁVIO, FLAMÍNIA, ISABELA, HORÁCIO, MAGO, ARLEQUIM e COLOMBINA

O Mago mostra-se e retira a virtude do encanto de Arlequim, toma o livro, a coroa e o cetro. Graciano entra e ouve o Mago, este revela tudo, diz ser Zoroastro e inimigo de Graciano, porque ele outrora defendeu o já defunto Pantaleão que tinha matado um irmão seu e ele, por vingança, tinha roubado as filhas e filhos deles, isto é: Horácio e Isabela de Graciano. Horácio e Isabela entram gritando: “papai, papai!”; e abraçam Graciano. Mago manda arrumar os preparativos para a festa e faz as pazes com Graciano. Mago se transforma em Flamínia. Entra Flávio. Agora estão todos casados, o Arlequim se casa com Colombina e termina a comédia.



Cenas a serem ensaiadas

Graciano canta ter naufragado na tempestade.

Flávio faz cena sobre o amor de Isabela e sua crueldade. Faz cena amorosa; ela recusa.

Isabela faz cena sobre o amor de Horácio e sua crueldade. Faz cena amorosa; ele recusa.

Horácio faz cena sobre o amor a Flamínia e sua crueldade. Faz cena amorosa; ela recusa.

Flamínia faz cena sobre o amor de Horácio e sua crueldade. Faz cena amorosa; ele recusa.

Cena do Eco.

Arlequim fica, faz sua cena de caçador.

O que é, o que é, de sacanagem.

Mago faz o encanto da coroa de flores.

Cena esquematizada de amor e desprezo.

Covielo (ator 1) de Exu, Graciano de Oxossi, Arlequim de Oxum a cena deles.

Flávio, Isabela, Flamínia e Horácio fazem suas orações.

Arlequim faz a cena de abrir e fechar o livro para aparecer o Espírito.

Agora estão todos casados.